Nurburg, Alemanha, 26 (AE) - Pedro Paulo Diniz escapou por muito pouco de sofrer lesões graves na sua coluna cervical, ainda na primeira curva da primeira volta do GP da Europa, disputado hoje no circuito de Nurburgring, na Alemanha. Para desviar da traseira da Jordan de Damon Hill, o austríaco Alexander Wurz deslocou sua Benetton para a direita, bem na trajetória por onde vinha Diniz. A roda traseira direita da sua Sauber passou sobre a direita dianteira da Benetton e decolou.
O perigo por que passou o piloto deve-se à inexplicável quebra do santantônio, arco de proteção para a cabeça, nos casos de capotagem. "Enquanto meu carro virava pedi muito a Deus para me proteger", disse hoje o piloto, na saída da Klinik de Bonn, onde foi transportado para um exame de ressonância magnética. Os médicos não detectaram nada de anormal e o liberaram para retornar para Mônaco, local de residência.
"Quando o carro parou, com as rodas para cima, tudo o que desejava era que fosse colocado na posição normal, passei um grande susto, temi pelo fogo", contou. "Eu dizia a mim mesmo, calma, calma, não entre em pânico." Sua Sauber percorreu, de cabeça para baixo, alguns metros no asfalto e depois na grama, perdendo o santantônio, que na Fórmula 1 chama-se roll bar. "Senti vários impactos do meu capacete na grama, mas por sorte nenhum deles foi violento."
O regulamento deste ano exigiu a colocação de um novo banco, para facilitar a retirada do piloto já imobilizado de dentro do cockpit. Por esse motivo o cockpit ficou um pouco mais fundo. Como o roll bar da Sauber estranhamente não resistiu à capotagem, a cabeça do piloto estaria bem mais exposta se o acidente fosse no ano passado, por exemplo. Esse pequeno detalhe pode ter salvado a vida de Diniz. "Sei que tive sorte", afirmou.
Alex Dias Ribeiro, ex-piloto brasileiro e hoje piloto do carro do médico da F-1, doutor Sid Watkins, foi o primeiro a chegar na Sauber de Diniz. "Quando vi que o roll bar havia se rompido, senti um frio na espinha," falou. Eu me abaixei e vi que o Pedro sinalizava, tentando dizer que estava bem e fiquei um pouco mais tranquilo." Nesse momento Ribeiro conversou com o piloto pela reduzido espaço que havia entre a lateral do cockpit e a grama. "Havia uns três centímetros por onde pedi que ele desligasse a chave geral, para evitar um incêndio." Diniz o atendeu.
Na clínica de Bonn os médicos concluíram ser desnecessário que o piloto passasse a noite em observação. "Vou para casa me preparar para os testes dos dias 6 e 7 em Barcelona
acho que quando sentar no carro novamente vou ter esquecido já o que se passou", afirmou.
Fica apenas a dúvida do motivo de a precisão suíça da Sauber não ter evitado que o roll bar se rompesse num acidente ocorrido a não mais de 150 km/h, em segunda marcha. O chefe de equipe do time suíço, Beat Zehnder, considerou "normal" o roll bar não ter resistido.

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