Agência Estado
Foi o pior acidente de Pedro Paulo Diniz na Fórmula 1. Ontem, com apenas 21 minutos do primeiro treino livre, o piloto da Sauber se aproximou da curva 1 do circuito, depois da reta dos boxes e, ao pisar no freio, ainda na sua segunda volta, o pedal seguiu seu curso até o fim, sem parar o carro. ‘‘Deu para assustar’’, disse Diniz. ‘‘A telemetria mostrou que eu estava em 7ª marcha antes da freada e a 292 km/h’’, contou. ‘‘Quando comecei a rodar e saí da pista, me encontrava a 250 km/h.’’ Sem ter o que fazer, ao perceber a pane nos freios, Diniz disse que sua primeira preocupação foi a de evitar o muro localizado à direita da área de escape. ‘‘Consegui dar uma direção à minha Sauber para colidir apenas bem mais para a frente nos pneus, já em velocidade um pouco mais reduzida.’’
Os danos foram grandes ao chassi 06 da Sauber, o último a ser construído. O piloto não sofreu nada, mas não pôde treinar mais ontem por não ser permitido o uso do carro reserva no treino livre.
Depois da sessão da tarde, Diniz tinha mais informações sobre o ocorrido: ‘‘Descobriram que eu fiquei apenas com os freios traseiros’’, explicou. Na Fórmula 1, os circuitos de freio dianteiro e traseiro são independentes, de forma que quase nunca um piloto perde totalmente a capacidade de reduzir a velocidade.
O comentário ontem na pista era de que houve desatenção da Sauber na montagem do sistema. ‘‘De qualquer forma, já deu para ver que esse traçado favorece o nosso carro’’, comentou o piloto. Seu companheiro, Jean Alesi, ficou com o quarto tempo ontem, 1min21s510. Hoje, Diniz participa normalmente das duas sessões livres e da classificação, à tarde.
Zonta - Ricardo Zonta não tirou o sorriso do rosto durante horas depois do treino de ontem, em que obteve o sexto tempo, 1m21s810, sem colocar pneus novos ou mesmo conhecer os 4.421 metros do traçado de Montreal. Seu companheiro na BAR, o canadense Jacques Villeneuve, obteve o nono tempo, 1m22s021. ‘‘No início da sessão errei várias vezes ao frear com o pé direito, não sabia nunca qual força colocar no pedal’’, disse o brasileiro. As rodas travaram várias vezes, contou.
Zonta ficou bom tempo nos boxes por causa de um problema com a roda dianteira direita. ‘‘Os pinos que a seguram, para não girar sobre os discos de freios, se soltaram e fiquei com ela meia solta na pista’’, disse. Michael Schumacher teve a mesma dificuldade nos treinos livres do GP do Brasil.
‘‘Esse circuito não exige muito do piloto; basta você acertar o carro para as três freadas fortes que existem para começar a vir tempo.’’ O melhor da história, falou Zonta, é que ele não usou pneus novos no treino, ainda que seja possível que tenha conquistado seu tempo com pouca gasolina no tanque.
A cada etapa do campeonato as feições de Rubens Barrichello se fecham. Ontem não foi diferente. Ele conseguiu apenas o 10º tempo, 1m22s167, e usando ainda pneus novos na sua Stewart. ‘‘Nós não experimentamos coisas novas, estamos perdendo terreno’’, afirmou. ‘‘Com os pneus novos, meu carro se tornou mais lento, não dá para entender.’’ No fim da segunda sessão ele rodou e ficou com sua Stewart na caixa de brita.
Com o tempo de 1m20s576, o irlandês Eddie Irvine, da Ferrari, surpreendeu e foi o mais rápido do dia. Seu companheiro de equipe e líder do Mundial, Michael Schumacher, marcou 1m21s276, ficando na terceira posição. Logo atrás de Irvine, na segunda colocação, ficou o britânico David Coulthard, da McLaren Com 1m20s664. O outro piloto da McLaren, Mika Hakkinen, foi muito mal e marcou apenas o sétimo tempo (1m21s950).
‘Nova Ferrari’ - O escocês Jackie Stewart, que hoje comemora 60 anos, campeão do mundo em 1969, 1971 e 1973, tem agora uma certeza: o time que dirige na Fórmula 1 será campeão. Depois da venda da sua organização para a Ford, anunciada na quinta-feira, o ex-piloto acredita que todas as equipe de F-1 terão de enveredar pelo mesmo caminho para poder vencer. ‘‘A Stewart Ford Grand Prix transformou-se numa nova Ferrari, pois produz o carro, o motor, além de contar com uma excelente estrutura financeira.’’
Com a proibição da publicidade de cigarros, a partir de 2006, explica Stewart, não será fácil para as escuderias encontrarem empresas com a sua disponibilidade de investimentos. ‘‘Uma saída será a associação com os grandes grupos industriais’’, acredita ele,
Para o diretor da Ford Motorsport, Dan Davis, os planos da empresa são de vencer algum GP já na próxima temporada para, no ano 2001, disputar o título.

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