Montreal, 13 (AE) - O GP do Canadá começou dando tudo errado para Pedro Paulo Diniz, mas acabou numa das melhores formas possíveis: o piloto da Sauber superou dificuldades sérias e classificou-se na sexta colocação, conquistando seu primeiro ponto na temporada. "Estava na hora já de virar a página e começar a completar as corridas", disse. A prova de Montreal foi a primeira em que Diniz chega ao fim este ano.
Na sexta-feira, logo no início do primeiro treino livre, Diniz se aproximou da curva 1 do circuito, no fim da reta dos boxes e, ao frear, o pedal foi até o fim do curso. Ele estava a 292 km/h. Depois de bater com violência numa proteção de pneus, sua Sauber parou semidestruída na pista. Diniz nada sofreu, além de enorme susto. O dia foi perdido porque o regulamento não permite o uso do carro reserva. Enquanto recebia massagens para aliviar as dores no pescoço, provenientes do impacto, seus mecânicos iniciaram a montagem de um outro carro, a partir de um monocoque (célula de sobrevivência) reserva. O trabalho terminou só à noite.
Sem ter treinado no dia anterior, Diniz foi para a classificação, sábado à tarde, com o rápido acerto desenvolvido no treino da manhã.
Ele acabou na 18ª colocação. Tudo levava a crer que, diante do choque psicológico, o carro pouco acertado, a posição no fim do grid e as dores no pescoço, o GP do Canadá não lhe daria nenhuma satisfação. Mais: o circuito é dos mais exigentes quanto a resistência do automóvel e até a corrida de Montreal a sua Sauber não havia completado um único GP.
"Com tantos fatores contra, como nesse fim de semana, terminar em sexto foi uma vitória", afirmou. Sua equipe comemorou muito o ponto obtido porque sabia os riscos que seu piloto corria nas voltas finais. "Eu estava já quase em freios", a mesma pane que provocou o acidente de sexta-feira. "Nós tínhamos três opções de discos e pastilhas para escolher"
explicou.
"As especificações 0.0, a mais dura e indicada para essa pista, a 0.3, a mais mole, a que permitia freadas mais nos limites, e a 0.7, intermediária entre as duas." Diniz e seu engenheiro, Steve Clark, optaram pela 0.3, a menos recomendada para as condições de ontem. "Nossos cálculos indicavam que eu teria ainda pastilhas e discos até a 68.a volta." O GP tem 69 voltas. "Jogamos com uma certa margem de segurança que o fabricante oferece e deu certo, mas não sem sofrer novos sustos." Nas voltas finais da prova, Diniz se aproximou de Johnny Herbert, da Stewart, a fim de tentar a quinta colocação. "Eu teria de brecar no limite para ultrapassá-lo e curso do meu pedal do freio já estava aumentando", disse.
Para evitar novos riscos ele optou por conservar o sexto lugar. Diniz lamentou a sua má relargada depois do acidente de Michael Schumacher, quando o Safety Car entrou na pista.
"Para não bater no Ralf Schumacher (Williams), aliviei o pé do acelerador, então ele e o Johnny Herbert me passaram." Como quase sempre faz, Diniz pulou da 18ª colocação no grid para a 11ª na primeira volta. "Meu carro patinou só um instante quando apagou o farol vermelho e logo em seguida tracionou superbem, só ali ganhei quatro posições." Foi a quinta vez que Diniz marca pontos na Fórmula 1. Ele já havia sido sexto nos GPs da Espanha e Itália, em 1996, e Mônaco, em 1998.
Conseguiu o quinto lugar em duas oportunidades, no GP de Luxemburgo de 1997 e no da Bélgica de 1998. Seu nome está numa lista de candidatos a ser companheiro de Michael Schumacher, na Ferrari, na próxima temporada.

mockup