Rio - Até a Fifa fica sem graça quando o assunto é o uso de dinheiro público na construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014. Ontem, em conversa com jornalistas brasileiros em um luxuoso hotel do Rio de Janeiro, o secretário-geral da entidade, Jérome Valcke, ficou visivelmente embaraçado ao ser confrontado com o tema. Pensou bastante e, ao responder, evocou o ''poder do futebol'' para tentar justificar a gastança. ''No Brasil, temos uma mistura de financiamento público e privado'', disse Valcke. ''O dinheiro que será gasto nos estádios não se compara ao que será gasto nas estradas, aeroportos''.
O tema causa desconforto porque em 2007 o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, disse que não haveria dinheiro público na construção de arenas. Quase quatro anos depois, o que se observa é que até mesmo estádios particulares contam com ajuda do poder público.
O Itaquerão, estádio do Corinthians, foi beneficiado por incentivo fiscal dado pela Prefeitura de São Paulo de R$ 420 milhões, além de cerca de R$ 70 milhões que o governo estadual desembolsará para deixá-lo apto para a abertura da Copa. Sem contar os R$ 65 milhões em isenção de impostos federais.
A Arena da Baixada contará com pelo menos R$ 90 milhões por meio de um mecanismo da prefeitura de Curitiba, chamado Transferência de Potencial Construtivo (permite edificações acima do padrão da Lei de Zoneamento em troca de repasses financeiros a obras de interesse público) que permitirá ao clube se capitalizar.
Valcke argumenta que, no Brasil, o futebol é uma ''religião'' e que tudo que for investido na Copa, não só em estádios, trará benefícios futuros. O secretário-geral foi mais incisivo quando questionado sobre os R$ 30 milhões que a prefeitura do Rio de Janeiro e o governo estadual desembolsaram, em partes iguais, para viabilizar o sorteio dos grupos das Eliminatórias, neste sábado, a partir das 15 horas. ''Nós, da Fifa, não pedimos ao governo ou a prefeitura para gastar esse dinheiro para o evento. Eles decidiram por isso'', afirmou.

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