Rio de Janeiro - O poder de Eurico Miranda no Vasco está sob ameaça depois de 20 anos. Nesta terça-feira, o tradicional clube carioca vai realizar eleição para a escolha do novo presidente e, pela primeira vez nas últimas duas décadas, um nome forte, de prestígio no futebol, vai tentar derrotar o todo-poderoso Eurico: Carlos Roberto de Oliveira, 49 anos, o Roberto Dinamite, maior artilheiro da história do Vasco e o atleta que mais vezes vestiu a camisa cruzmaltina.
A tarefa não vai ser fácil. Dinamite vem acusando Eurico, em entrevistas que tem concedido nos últimos dias, de várias irregularidades. Uma delas infringia um direito legal: o atual presidente não queria liberar a lista dos votantes, nem mesmo depois de três pedidos formais do ex-jogador. Acabou obrigado a entregá-la por decisão judicial.
''Estou diante de um desafio. Não quero varrer o Vasco, mas torná-lo democrático e pôr fim à imagem antipática do clube, criada nos últimos anos com medidas reprováveis e às vezes truculentas de meu adversário'', defendeu Dinamite.
Pouco mais de 10 mil associados estariam em condições de votar. Eles vão eleger 150 conselheiros da chapa vencedora. Na primeira semana de janeiro, 120 componentes desse grupo, 150 conselheiros natos e outros 30 da chapa derrotada escolhem, enfim, o presidente. ''São duas etapas difíceis. Mas uma coisa vai fazer a diferença: a credibilidade dos candidatos'', afirmou Roberto Dinamite, autor de 26 gols em 49 jogos pela seleção brasileira, a qual defendeu em duas Copas do Mundo (1978 e 1982), e hoje deputado estadual pelo PMDB.
Eleito, Dinamite promete convocar uma auditoria para o clube. Quer saber a dívida total do Vasco. Supõe que a quantia possa até chegar a R$ 250 milhões. ''Mas não posso afirmar nada. Vamos, eleitos, ter de fazer uma auditoria''.

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