France PresseZagallo gostou do rivalA comissão técnica da Seleção Brasileira só descobriu, literalmente nesse domingo, o seu próximo adversário na Copa do Mundo. Para o técnico Zagallo, o coordenador-técnico Zico, o supervisor Américo Faria e o espião Gilmar Rinaldi, que compareceram ao Estádio da França para ver o jogo de perto, a Dinamarca até então era um time inexpressivo e, principalmente, pouco observado. Todos esperavam que a Nigéria cruzasse o caminho da Seleção.
Os dinamarqueses surpreenderam os brasileiros, mais que pela goleada, pela organização, aplicação e pela genialidade do veterano meia Michael Laudrup, o número 10, o mais velho dos irmãos Laudrup. ‘‘A Dinamarca mostrou ser um time muito bom, organizado e eficiente: foi a vitória da aplicação’’, disse Zagallo, que deixou o estádio às pressas, com sua comitiva, logo após o quarto gol da Dinamarca, quando ainda faltavam cerca de 15 minutos para o fim do jogo.
No fundo, o treinador gostou da derrota da Nigéria, time que eliminou o Brasil da Olimpíada de Atlanta, em 1996, nos Estados Unidos. ‘‘A Nigéria jogou individualmente, preocupada em dar espetáculo para a torcida: mais uma vez eles mostraram que são ingênuos.’ Zagallo elogiou toda a equipe dinamarquesa, mas destacou Michael Laudrup, que revelou-se para o futebol na Copa do Mundo do México, em 1986, passou por equipes tradicionais como Barcelona e Real Madrid (ambos da Espanha) e hoje, aos 33 anos, defende o Ajax, da Holanda. ‘‘Ele é um excepcional jogador e não podemos deixá-lo solto como fez a Nigéria’’, disse Zico. Na sua opinião, a Dinamarca vai jogar contra a Seleção ‘‘fechada, explorando os contra-ataques puxados por Laudrup e jogando no erro do Brasil’’.
Além de Michael Laudrup, Zico elogiou o irmão dele, Brian (número 11), e o meia Thomas Helveg (número 6). A análise global sobre o próximo adversário da Seleção e sobre o jogo desse domingo é mais ou menos a mesma de Zagallo. ‘‘Enquanto a Dinamarca jogou para fazer gols, a Nigéria jogou para dar show’’, afirmou o coordenador-técnico.
Zico entende que não fará muita diferença para o Brasil enfrentar a Dinamarca em vez da Nigéria. ‘‘Enquanto a Nigéria é criativa e vulnerável, a Dinamarca é previsível e organizada’’, disse. Ou seja: a Comissão Técnica da Seleção está ciente que o Brasil teve, por sorte, o cruzamento mais fácil ou menos difícil até as semifinais do Mundial. Tanto isso é verdade que Zagallo, ao deixar o estádio, fez mais uma vez o sinal do número três com as mãos, como se dissesse: ‘‘faltam três jogos para o penta’’.

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