A Dinamarca manteve ontem a rotina de treinamento que adotou durante a Copa do Mundo: o descanso. Apesar de estar a dois dias de uma disputa por uma vaga na semifinal contra o Brasil, os dinamarqueses aproveitaram a manhã de ontem para jogar golfe no campo do hotel de Frégate, no sul da França, onde estão concentrados. O técnico Bo Johansson acostumou-se a dar descanso para os jogadores desde a brava classificação nas eliminatórias, garantida na última partida quando um empate por 0 a 0 com a Grécia, em Atenas, foi suficiente. ‘‘Começamos agora uma outra competição’’, disse o treinador, depois de eliminar a Nigéria do Mundial.
A concentração é o principal caminho, acredita Johansson, que ontem buscou o isolamento completo, evitando a presença de torcedores e jornalistas brasileiros do campo de golfe. ‘‘Precisamos descansar.’’ O treinador dinamarquês encara cada etapa da Copa como um ciclo. Assim, se algum jogador demonstra estar cansado, ele não hesita em diminuir o ritmo na fase seguinte.
‘‘Entre o jogo com a França e o com a Nigéria, tivemos quatro dias, mas treinamos apenas duas vezes’’, afirma, com um indisfarçável orgulho. ‘‘Agora não será diferente e faremos a preparação tranquilamente.’’ Johansson prega o livre relacionamento com os jogadores como essencial para conseguir os bons resultados - depois da vitória contra a Nigéria, o grupo cantou e dançou no vestiário. E a comemoração continuou na volta para a concentração de Saint-Cyr, com cerveja servida à vontade.
Entre tanta diversão, os dinamarqueses garantem estar se preparando para enfrentar o Brasil. ‘‘Deveremos fazer uma grande pressão sobre os brasileiros, exatamente como fez a Noruega’’, disse o atacante Brian Laudrup. ‘‘Assim conseguiremos criar chances de gol.’’ A derrota brasileira na primeira fase é identificada como inspiradora pelo jogador.
Se o Brasil marcar primeiro, porém, a situação muda e o atacante revela sua reverência pelos campeões do mundo. ‘‘Acredito que, nesse caso, será muito difícil mudar o curso da partida’’, disse, pessimista. ‘‘O ritmo será comandado pelos brasileiros, que poderão fazer até mais.’’
Os dinamarqueses gostam de recordar a goleada por 4 a 0 sofrida pelo Brasil em 1989, em Copenhague, na preparação para a Copa da Itália. ‘‘Foi um resultado inesquecível e provou que nenhum time é imbatível’’, reconhece Laudrup, que jogou um tempo daquela partida - seu irmão Michael também atuou e marcou dois gols. ‘‘Mas temos de ser realistas e não viver de boas lembranças.’’Arquivo FolhaReceita vikingNielsen (E) e Michael Laudrup (D) abraçam Sand no jogo com a Nigéria: atacante aposta na pressão à la Noruega para vencer BrasilAgência Estado

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