As chances de o Brasil voltar a vencer na Fórmula 1 ficaram um pouco menores ontem. O italiano Jarno Trulli, da Prost Grand Prix, é a primeira opção de Frank Williams para a vaga de Heinz-Harald Frentzen. Rubens Barrichello agora é o segundo na lista da equipe campeã do mundo. ‘‘Em uma semana tudo será definido’’, afirmou Trulli em Budapeste, onde domingo será disputado o GP da Hungria. Hoje acontecem os treinos livres.
Barrichello não ficou desanimado com a notícia de que existe um candidato com maiores possibilidades que as suas para correr pela Williams. ‘‘Fui informado de que eles negociam com um piloto cuja escuderia tem prazo para confirmá-lo em 99 até dia 30’’, falou Barrichello. Ele é Jarno Trulli.
O brasileiro não perdeu, contudo, as esperanças porque não será fácil para Frank Williams tirar Trulli da Prost. ‘‘Jarno é nosso piloto, a opção no seu contrato é nossa e nós iremos exercê-la’’, disse ontem Cesare Fiorio, diretor esportivo da Prost. Isso significa que, a exemplo de Barrichello, a liberação de Trulli passa também pelo pagamento de pesada multa para a Prost. Comenta-se que bem superior a de U$ 3,5 milhões do piloto da Stewart.
Há outro fator que pode também complicar a transferência de Trulli da Prost para a Williams: ele é italiano, como é seu possível companheiro, Alessandro Zanardi. Isso poderia criar algum conflito com os patrocinadores da Williams, interessados em divulgar seus produtos também em outros países. Por estar ciente dessas dificuldades é que Barrichello acredita ainda ser possível sua contratação por Frank Williams em 99.
‘‘Eu diria que minhas chances são de 30%’, afirmou o brasileiro. ‘‘Disse a eles que daria o meu salário como pagamento da multa para me tirar da Stewart.’’ Rubinho comentou que ficaria muito frustrado se um dia deixar a Fórmula 1 sem fazer parte de um time de ponta. ‘‘Venci em todas as categorias por que passei, só aqui não, mas se eu tivesse um bom carro também chegaria lá.’’
Existe certa mágoa do piloto em relação a parte da torcida brasileira. ‘‘Muitos acham que eu acabei, não entendem que na F-1 é preciso dispor de um bom equipamento para vencer’’, comenta e faz um desafio: ‘‘Se eu for contratado pela Williams garanto que não sairei mais das melhores equipes e aí muita gente terá de rever seus conceitos a meu respeito.’’
Clima na Hungria - O calor de 35 graus ontem no circuito Hungaroring, em Budapeste, está assustando os pilotos que hoje começam a disputar o GP da Hungria, 12ª etapa do Mundial de F-1. Tanto a Bridgestone, fornecedora de pneus da McLaren e da Benetton, entre outras, quanto a Goodyear, marca da Ferrari, Williams, Jordan, Sauber e Tyrrell, estão distribuindo a essas escuderias novos tipos de pneus.
Mika Hakkinen e Michael Schumacher, os dois pilotos que brigam pelo título da temporada, esquivaram-se ontem de responder sobre a preparação da McLaren e da Ferrari para o calor da prova. ‘‘Responda você, por favor’’, disse Hakkinen a Schumacher, sentados lado a lado numa entrevista coletiva. A pergunta era sobre os cuidados para se disputar as 77 voltas da corrida sob os 35 graus de Budapeste. ‘‘Não, não, faço questão que você comece’’, respondeu o alemão. Os dois ficaram nesse jogo de empurra-empurra até Schumacher dizer que a Ferrari não planejara nada de diferente para a prova. ‘‘A McLaren também não’’, emendou Hakkinen.
Diferentemente de outros GPs, os dois jogam tudo no acerto de seus carros para a classificação de amanhã. Os preparativos para a corrida são secundários. ‘‘Essa corrida se ganha na definição do grid’’, fala Hakkinen. Nas 12 edições da prova até agora, só uma vez a vitória ficou com quem não largou entre os três primeiros. Foi em 89, em que Nigel Mansell venceu, com a Ferrari, mesmo saindo em 12º.

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