Dilma sela a paz com a Fifa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Zurique - A presidente Dilma Rousseff garantiu ontem, em Zurique: fazer estádio "é simples" e, em uma iniciativa cuidadosamente coreografada com a Fifa, tentou passar uma imagem à imprensa internacional de que o Brasil está pronto para a Copa do Mundo e que as polêmicas com a entidade máxima do futebol não existem.
Dilma fez a sua primeira visita à sede da Fifa, em um esforço de selar a paz com o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e mostrar união faltando menos de cinco meses para a Copa. Nem o Palácio do Planalto e nem a entidade queriam dar qualquer chance para uma pergunta incômoda e montaram um verdadeiro teatro, com direito à taça da Copa, bola oficial e bandeira. A solução para não estragar a festa foi proibir os jornalistas de fazer perguntas. Oficialmente, era uma visita de "cortesia".
Mas fontes revelaram que, na reunião de mais de uma hora entre as duas delegações, a agenda carregada deixou claro que os sorrisos se limitaram às câmeras. Cinco dos 12 estádios do Mundial estão atrasados, Blatter já confessou que nunca viu uma preparação tão lenta e a entidade admite que não terá tempo de testar as arenas.
Nesta semana, a Fifa alertou que poderia retirar Curitiba do calendário da Copa diante dos atrasos. Dilma, nesta quinta, tinha outra versão. "Os estádios são obras relativamente simples", garantiu. "O governo fará todo o empenho para fazer a Copa das Copas. Isso inclui estádios, aeroportos, portos. Tudo o que for necessário", disse.
A presidente insistiu que os estrangeiros não terão problemas. "Podem vir ao Brasil. Vocês serão recebidos de braços abertos". Dilma, porém, recusou-se a responder perguntas dos jornalistas sobre a situação do estádio de Curitiba para a Copa do Mundo, a Arena da Baixada. A orientação da Fifa era de que nem ela e nem Blatter aceitariam perguntas. Já o ministro Aldo Rebelo saiu sem falar com a imprensa.
Bastidores
O silêncio não era por acaso. A Fifa exige que o Brasil garanta a segurança do evento e não disfarça a irritação com o atraso de estádios ao ponto de ameaçar retirar Curitiba do calendário. Pessoas que estiveram no encontro desta quinta confirmaram que "cobranças mútuas" foram feitas.
Aldo Rebelo esteve reunido um dia antes com Blatter, justamente para já preparar a reunião e debater alguns desses pontos com o cartola. "O clima é de muita preocupação", confirmou um funcionário de alto escalão da Fifa, sob condição de anonimato. "Ninguém sabe o que fazer se Curitiba cair, se os testes mostrarem erros em Itaquera e se os aeroportos não funcionarem".
Em público, Dilma e Blatter se deram as mãos, sorriram e trocaram elogios mútuos. "Essa será uma grande Copa", afirmou Blatter. "É uma questão de confiança, recíproca. A Copa vai acontecer no Brasil. É o país do futebol e não há melhor pais para o futebol", disse. "Ainda nos restam alguns meses e se for preciso fazer alguns retoques pequenos, faremos. Mas o Brasil vai organizar uma bela Copa, uma grande Copa", completou.
A ordem era deixar as críticas de lado. "Não haverá problemas. No final tudo se resolve, principalmente no Brasil", disse Blatter. Dilma também deu suas garantias. "Estamos preparados", insistindo que as obras de mobilidade urbana e outras serão concluídas.


