Dilma e Blatter continuam guerra pouco antes da Copa
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sexta-feira, 16 de maio de 2014
Agência Estado 
São Paulo - Definitivamente a relação entre o governo brasileiro e a Fifa é apenas e tão somente de tolerância. A relação é tão ruim que quando um se refere ao outro as farpas voam. Isso acaba de voltar a acontecer, em momentos diferentes e dissociados. Em Brasília, a presidente Dilma Rousseff admitiu que os dirigentes da Fifa são um peso. Na Suíça, Joseph Blatter criticou o governo por não ter implementado melhorias no País.
A manifestação de Dilma ocorreu na noite da última quinta-feira, durante jantar com jornalistas esportivos no Palácio do Planalto, em Brasília. Ao ser questionada se várias das obras de mobilidade que estão sendo tocadas têm relação com a Copa, ela reagiu: "Tirem o Blatter e o Valcke das minhas costas", pediu.
Em seguida, a presidente explicou que as intervenções de mobilidade urbana estão sendo feitas para atender as necessidades das cidades. Mas concordou quando um dos jornalistas quis saber se a dupla que comanda a Fifa representa um peso para ela.
E foram justamente as obras de infraestrutura, muitas das quais ainda não estão prontas e nem ficarão até o início da Copa, o motivo do mais recente ataque Blatter ao Brasil. Em entrevista à rede pública de TV da Suíça, ele disse que a insatisfação do povo brasileiro com o Mundial está diretamente ligada ao não cumprimento das promessas do governo de implementar melhorias no País. "Eu sei bem dessa situação", declarou o dirigente. "Não podemos contentar a todos. Isso não existe. Os brasileiros estão um pouco insatisfeitos. Muita coisa foi prometida a eles".
Foi mais uma "alfinetada" de Blatter no governo de Dilma Rousseff. Ele criticou o fato de o projeto do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Copa não ter ido adiante e alertou que, para mudar o País, a sociedade brasileira terá de ter "vontade de trabalhar".
Com a aproximação do início da Copa, a Fifa vem adotando a estratégia de se distanciar da crise no Brasil. O objetivo é que protestos e cobranças tenham como alvo o governo e não a entidade. Na semana passada, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, já havia apontado nessa direção, insinuando que Dilma não assumiu um papel mais central na organização da Copa, como tinha ocorrido com Lula.
Na visão de Blatter, os projetos que Lula queria implementar não avançaram. Mas o dirigente suíço insinua que parte da responsabilidade é da sociedade. "O Brasil é a sexta maior economia do mundo e, quando Lula estava no poder, ele disse que queria uma melhoria no país", disse. "Mas, para isso, precisa-se da vontade do povo para trabalhar". Segundo sua análise, "a sociedade que Lula queria criar no Brasil, hoje se separou um pouco (do objetivo)".
Mas o presidente da Fifa diz acreditar que as manifestações vão parar no Brasil quando a Copa começar. "A partir do momento em que o primeiro chute for dado, estou certo de que o Brasil vai ter um ambiente de futebol, samba, música e ritmo".


