Londres - Diego roubou a festa dos ingleses na quente noite de ontem em Londres. Fez o gol do Brasil que definiu o empate por 1 a 1 contra a Inglaterra, no último minuto do amistoso de inauguração oficial de Wembley. Deu dó ver a multidão de boca aberta sem acreditar que a vitória, tão esperada desde 1990, havia escapado por um descuido. Quando a bola entrou na rede de Robinson, o imponente Wembley murchou.
Não foi o fim que eles haviam imaginado: no dia em que o templo do futebol reabria oficialmente suas portas, os ingleses esperavam uma noite de gala.
E olha que tudo conspirou a favor deles. Sem talento, mas eficazes. Sem brilho, mas insistentes, eles conseguiram um gol no segundo tempo dos sonhos. Beckham, o rei pop do futebol britânico, bateu a falta lá da direita e Terry, de cabeça, converteu. Gol com a marca registrada do futebol inglês, gol para lavar a alma. Mas não deu. A história do jogo teve um fim bem diferente.
O Brasil impunha um futebol digno de sua tradição, mais pelo talento de Ronaldinho Gaúcho e Kaká, assessorados por Robinho. Os três chegavam fácil à zona de gol, criavam boas situações, mas erravam nas finalizações. Ronaldinho teve pelo menos duas faltas, de onde gosta de bater, mas chutou para fora. E Kaká arriscou umas três vezes de longe, mas também faltou pontaria.
Lá atrás, a defesa se virava bem. O estreante Naldo parecia tranquilo. O único problema estava no setor direito. Daniel Alves e Mineiro não tinham sintonia, marcavam mal e saíam para o ataque sem confiança.
A Inglaterra, de repertório pobre, vivia de esticar a bola da intermediária do seu campo para o território do Brasil, sempre à procura de Owen. Quando a jogada dava certo, acabava em falta.
No segundo tempo, os papéis foram invertidos. Os ingleses criaram coragem, partiram para cima e devolveram a euforia aos milhares de torcedores. Os cânticos voltaram a tomar conta do estádio. E aos 24 minutos, Terry abriu o placar.
Derrota à vista, Dunga começou a trocar as peças. Tirou Kaká e colocou o desconhecido Afonso. Antes havia reforçado a marcação do setor direito com Edmílson e Maicon nos lugares de Daniel Alves e Mineiro. Afonso perdeu dois gols. Dunga não parou no tempo. Trocou Robinho por Diego. A seleção tentou empurrar os ingleses para trás, mas os torcedores não estavam nem aí. Celebravam a vitória como nunca.
De repente, quando a festa parecia líquida e certa, Gilberto Silva, do Arsenal, o mais inglês dos brasileiros, levantou a bola na área de Robinson. O pequeno Diego apareceu do nada entre os grandalhões europeus, se abaixou e, de cabeça, fez o gol de empate. Um silêncio quase total tomou conta de Wembley.


EM LONDRES

Inglaterra 1

Robinson; Carragher, King, Terry (Brown), Shorey; Cole (Downing), Beckham (Jenas), Gerrard e Lampard (Carrick); Smith (Dyer) e Owen (Crouch). Técnico: Steve McLaren

Brasil 1

Helton; Daniel Alves (Maicon), Naldo, Juan e Gilberto; Gilberto Silva, Mineiro (Edmílson), Kaká (Afonso) e Ronaldinho Gaúcho; Robinho (Diego) e Vágner Love. Técnico: Dunga

Árbitro: Markus Merk (ALE)
Estádio: Wembley
Gols: Terry aos 23 e Diego aos 46 minutos do 2º tempo

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