Dida, Lúcio e Juan seguram adversários
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terça-feira, 27 de junho de 2006
Mateus Silva Alves<br> Agência O Globo 
Dortmund - Enquanto os olhos dos torcedores brasileiros estão todos voltados para os altos e baixos do quadrado mágico da seleção, a turma de trás é que está mostrando um serviço de primeiríssima linha. Dida, Lúcio e Juan deram um show de competência no jogo contra Gana e mostraram mais uma vez que a defesa do Brasil, acreditem ou não, é bastante confiável.
Graças principalmente ao trabalho do paredão brasileiro, a seleção atingiu a respeitável marca de apenas um gol sofrido em quatro partidas disputadas na Copa da Alemanha. Esse número é igual ao da seleção de 94, famosa por sua sólida defesa. Naquela ocasião, também com Carlos Alberto Parreira no comando, o time também sofreu só um gol em seus quatro primeiros jogos na Copa dos Estados Unidos.
O desempenho de Dida, Lúcio e Juan ontem foi marcante. O goleiro estava em uma tarde inspirada e fez pelo menos duas defesas dificílimas. Os dois zagueiros também conseguiram se impor com tranquilidade, fazendo muitos desarmes e passando bastante segurança ao time.
''Isso (o bom desempenho da defesa) não me surpreende. Nós temos trabalhado bastante para evitar os gols e, felizmente, estamos conseguindo ajudar a seleção a ganhar as partidas'', afirmou Juan.
O ex-jogador do Flamengo admitiu que os ganeses deram muito trabalho. ''O fim do primeiro tempo foi complicado para nós, eles tiveram até algumas chances para empatar. Nós sabíamos que o jogo seria difícil e, em alguns momentos, tivemos um pouco de sorte. Mas isso faz parte'', disse o zagueiro do Bayer Leverkusen.
O companheiro de zaga de Juan também saiu de campo ontem sentindo a felicidade de quem sabe que fez um bom trabalho. Lúcio acredita que o bom entrosamento com os colegas de defesa foi fundamental para o Brasil terminar a partida contra Gana sem levar gols.
''O mais importante tem sido o companheirismo da defesa. Um tem sempre ajudado o outro. E, além disso, nós temos conseguido manter a concentração durante os 90 minutos de jogo'', comentou Lúcio, do Bayern de Munique, time rival do Bayer de Juan. ''Nos jogos decisivos é preciso defender bem e nós fizemos isso.''
O brasiliense Lúcio igualou ontem, sem muito alarde, uma marca que fez a fama do zagueiro paraguaio Gamarra. Em 98, o hoje jogador do Palmeiras ganhou reconhecimento mundial ao completar quatro jogos da Copa da França sem cometer uma única falta. Pois Lúcio conseguiu a mesma façanha. Nas quatro primeiras partidas da seleção brasileira no Mundial da Alemanha, ele não fez uma mísera faltinha.
Só que Lúcio, um sujeito tão sério fora do campo quanto é dentro das quatro linhas, não mostrou um pingo de empolgação com seu feito. Ele deu pouca importância ao fato de ainda não ter cometido faltas na Copa. ''É uma coisa positiva, mas não é meu objetivo. Meu objetivo é apenas continuar defendendo bem. Como zagueiro, sei que a qualquer momento vou cometer uma falta'', disse Lúcio, que também pode se orgulhar de ter iniciado a jogada do segundo gol brasileiro, marcado por Adriano.
Lúcio, o Gamarra brasileiro, disse que não quer levar sozinho os méritos por não ter cometido faltas na Copa. ''Nós conseguimos jogar de maneira limpa. Antecipamos bem as jogadas e, na medida do possível, neutralizamos os ataques de Gana'', opinou o camisa três da seleção.


