Belo Horizonte, 05 (AE) - O goleiro Nelson de Jesus Silva, o Dida, de 25 anos, decide seu futuro profissional na segunda-feira, em audiência da Justiça do Trabalho, em Belo Horizonte, quando volta a se confrontar com advogados do Cruzeiro, dono de seu passe. Dida, que está treinando no Lugano, da Suiça, deixou o clube mineiro no início de fevereiro, dizendo ter recebido proposta irrecusável do Milan, da Itália.
O Cruzeiro não gostou da forma como o atleta saiu, mas concordou em negociar o passe, desde que os italianos pagassem US$ 4,5 milhões. O Milan ofereceu menos da metade - US$ 2 milhões - e o caso foi parar na Fifa.
Enquanto estava proibido de atuar por qualquer outro clube, já que o Cruzeiro não liberou seu passe, Dida entrou com uma ação cautelar na 25ª junta trabalhista, na capital mineira, requisitando o direito de exercer a profissão.
Em março, a Justiça determinou que ele poderia ser liberado, pelo menos até o julgamento da ação principal. Para isso, no entanto, teria de depositar, em juízo, R$ 8 milhões, valor referente ao seu passe no Brasil. "Ele não tinha o dinheiro e, por isso, continuou preso ao Cruzeiro", diz uma das advogadas do goleiro, Regina Ladeia.
Na segunda-feira, explica ela, a Justiça deverá dar a palavra final sore o caso.
"Esperamos que a Justiça reconheça os direitos do atleta e libere o passe", diz a advogada. Reserva do goleiro Erick, do Lugano, clube para o qual foi cedido temporariamente pelos dirigentes do Milan, Dida garante que não tem sido escalado entre os titulares, na disputa do campeonato suiço, por causa da situação indefinida em que se encontra. "Ele disputou apenas amistosos e está bastante amargurado", afirma Regina. "Tem medo de ser obrigado a voltar para casa, dependendo da decisão da Justiça, e se sente com uma faca no peito", acrescenta.
Caso Dida perca a ação, e seja obrigado pela Justiça trabalhista a pagar o próprio passe ao Cruzeiro, ele ameaça encerrar a carreira.
Passe - A solucão para o caso Dida pode surgir da negociação do passe, entre o Cruzeiro e o Milan. Segundo o assessor da presidência do time mineiro, Valdir Barbosa, na semana passada as conversas entre os clubes, acompanhadas de perto pela Fifa - que deu prazo de um ano para que ambos cheguem a um acordo -, avançaram "um pouco". O Milan, que havia oferecido inicialmente US$ 2 milhões, teria subido a porposta para US$ 3 milhões.
O Cruzeiro, que pedira US$ 4,5 milhões, admitiu a possibilidade de abaixar o valor para US$ 3,5 milhões. "Só que a conversa foi feita de forma extra-oficial e parou por aí", disse o assessor do time, hoje à tarde. Para a diretoria do Cruzeiro, a delicada situação de Dida é reflexo da falta de profissionalismo com que teria tentado efetuar sua transferência para o futebol europeu. "Ele é que provocou o impasse", disse Barbosa. O goleiro desembarca em Belo Horizonte, onde ainda mantém uma luxuosa academia de ginástica, no domingo. No dia seguinte, à tarde, comparece à 25ª Junta da Justiça do Trabalho, no centro da capital.

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