São Paulo, 06 (AE) - Dida está pronto para fazer história no Corinthians. O clube do Parque São Jorge não tinha no seu elenco um goleiro titular absoluto da seleção brasileira desde 1987, quando Carlos, até então dono da camisa 1, parou de ser convocado e deu lugar a Taffarel. Contratado por empréstimo para defender o Corinthians, Dida traz ao Parque São Jorge a experiência de quem já disputou uma Olimpíada, foi reserva na Copa do Mundo e recentemente campeão da Copa América, e a segurança de um especialista em pegar pênaltis.
Desde a saída de Ronaldo, no início do ano passado, o Corinthians ficou carente de um goleiro capaz de intimidar os atacantes adversários. Nei assumiu a posição, conquistou o título brasileiro mas não suportou a pressão impiedosa de uma torcida que não perdoa erros. Acabou cedendo lugar a Maurício, que ajudou a equipe na conquista do título paulista deste ano.
A Hicks Muse assumiu o controle do Departamento de Futebol do Corinthians e sentiu a necessidade de dar ao time um goleiro mais seguro e renomado. Foi logo buscar o titular da seleção brasileira.
Para Dida, a vinda para o futebol paulista é o final feliz de uma história misteriosa. Após o término do Campeonato Brasileiro do ano passado, ele decidiu deixar o Cruzeiro e aceitar a proposta para defender o Milan. O clube mineiro não queria negociar seu passe e o caso foi parar na Justiça. Após muita discussão, o passe de Dida passou a pertencer ao clube italiano.
O Milan cansou de esperar pelo brasileiro e acabou dando chance ao jovem Abbiatti, que revelou-se um ótimo goleiro e passou a ser titular absoluto da posição. Dida foi emprestado ao Lugano, da Suíça, e em junho acabou sendo contratado por empréstimo pelo Corinthians.
Ao contrário de Ronaldo, conhecido pelo egocentrismo e famoso pelas broncas escandalosas que costumava dar aos colegas de defesa, Dida é muito reservado. Até o momento, evitou falar sobre sua ida para o Corinthians. Dizia que estar preocupado somente com seu trabalho na seleção e só depois de terminada a Copa América e a Copa das Confederações pensaria no seu futuro. Na primeira competição foi impecável, sofreu apenas dois gols em seis jogos, defendeu dois pênaltis e mostrou ter superado falhas do passado, como as célebres trombadas com Aldair nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, que o Brasil ficou em terceiro lugar. "Sabia que um dia daria a volta por cima", comenta Dida.
Na Copa das Confederações, Dida parecia estar levando a seleção a mais um título. Foi perfeito em toda a campanha, muitas vezes encobrindo as falhas dos companheiros com suas defesas. Até que um erro no início do jogo decisivo contra o México, revelou que ele não era infalível. Dida sentiu a pane geral que abalou toda a equipe na derrota por 4 a 3. Reconheceu ter falhado no primeiro gol mas diz estar pronto para seguir trabalhando.
"Tudo o que conquistei até aqui é fruto do meu trabalho, diz Nelson de Jesus da Silva, o Dida, nascido em 7 de outubro de 1973 e com 25 anos. "Nas vezes em que fui mais criticado procurei superar os problemas treinando muito e acreditando sempre em mim." Ter frieza ele aprendeu com Taffarel, quem considera seu grande ídolo. A convivência com seu antecessor na Copa do Mundo da França foi muito importante, segundo Dida.
O goleiro diz que nasceu para viver debaixo das traves. Desde pequeno queria jogar no gol. Acompanhava pela tevê o trabalho de Leão, Valdir Peres, Carlos e Gilmar Rinaldi. Natural de Irará (BA), Dida foi logo criança morar em Lagoa da Canoa (AL). Começou jogando no Cruzeiro de Arapiraca, até que em 1991 foi para o Vitória levado por um olheiro do clube baiano.
Dois anos depois, passou para o time profissional ganhando a posição de Ronaldo Passos durante o Campeonato Brasileiro de 1993 e chegando ao vice-campeonato nacional com o Vitória, que foi derrotado pelo Palmeiras na decisão. Ainda naquele ano, Dida sagrou-se campeão mundial de juniores na Austrália. Em 1994, foi jogar no Cruzeiro onde atuou por quatro anos, ganhando, entre outras coisas, um título da Copa do Brasil e um da Taça Libertadores da América. No Corinthians, Dida está pronto para novos desafios. ACADEMIA - Dida também já pode se considerar um empresário de sucesso. Em setembro do ano passado, Dida inaugurou, em Belo Horizonte, uma das academias de ginástica mais modernas e bem equipadas do Estado. A Dida Training, que ocupa uma área de 1.850 metros quadrados no Shopping Del Rey, Zona Norte da capital, é administrada pelo irmão, Roberto de Jesus Silva, e pela mulher do goleiro, Lúcia Conceição Marques Silva.
Segundo Lúcia, a academia conta com cerca de 650 alunos, orientados por professores de "alto gabarito", como os karatecas Pré e Nelson, medalhistas no pan-americano de Winnipeg
este ano. A meta para o fim do ano é chegar à capacidade máxima de mil alunos. "Passada a baixa temporada, as férias de meio de ano, a tendência é crescer o número de matrículas", diz Lúcia.
A abertura de unidades da Dida Training em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, também está nos planos do goleiro-empresário. Casada com o atleta há três anos, Lúcia conta que a idéia do empreendimento era antiga. "Desde que chegou ao Cruzeiro, em 1994, Dida sonhava com duas coisas: ser o titular da seleção e ter um negócio próprio", diz
O investimento na academia e o faturamento é guardado a sete chaves por Dida, o que confirma, de acordo com Lúcia, a "extrema discrição" que o goleiro costuma ter quando o assunto é sua vida particular e financeira. "Ele herdou isso de família", afirma.
O cuidado do goleiro com questões relativas a dinheiro ficou evidente também durante sua passagem pelo Cruzeiro, entre 1994 e 1998. Segundo dirigentes do time mineiro, o atleta tinha as renegociações do contrato mais lentas entre todos do elenco. "Ele sempre era o que mais demorava a acertar as renovações, orientado por seus procuradores", diz um funcionário do clube.
Só mesmo na montagem da academia Dida parece não ter sido econômico. Segundo Lúcia, além de ter adquirido equipamentos de ginástica de última geração, o goleiro recrutou alguns dos melhores profissionais de Belo Horizonte para as vagas de instrutores. Ele também acompanhou, na medida do possível, cada etapa das obras, executadas à partir de um grandioso projeto arquitônico. "Hoje, temos um espaço de primeiro mundo, bastante amplo, com 28 profissionais altamente capacitados dando aulas de diversas modalidades, da aeróbica à musculação, passando por artes marciais, capoeira e dança de salão e baiana, que não poderia faltar", diz Lúcia.Por Paulo Guilherme e Evaldo Magalhães --------------------- ATENÇÃO SENHORES EDITORES: PARA PUBLICAÇÃO NO DOMINGO ---------------------

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