Belo Horizonte, 11 (AE) - A sentença da 25ª Junta da Justiça do Trabalho em Belo Horizonte, sobre a ação movida pelo goleiro Dida contra o Cruzeiro, só será conhecida amanhã à tarde
mas o atleta já tem planos para o caso de não conseguir a liberação do passe. "Não sei qual o procedimento adequado, mas vou tentar uma audiência com o presidente da República para entregar esta causa a ele", disse o goleiro.
Dida deixou o Cruzeiro, dono de seu passe, há pouco mais de três meses, alegando ter recebido proposta irrecusável do Milan, da Itália. Com a recusa do clube em cedê-lo, antes de receber o que achava justo - inicialmente, US$ 4,5 milhões -, o jogador acionou o time na Justiça Trabalhista.
Ele se baseou em uma resolução de 1996 do Instituto Nacional de Desportos (Indesp), segundo a qual o atleta tem direito ao passe livre caso não renove contrato com o clube ao qual pertence. Para o departamento jurídico do Cruzeiro, a resolução, no entanto, teria caducado com a promulgação da Lei Pelé.
Segunda-feira, na audiência em que o juiz João Borges, da 25ª Junta, tentava a conciliação entre as partes, não houve acordo. De um lado, o presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, disse que Dida estaria livre do clube, desde que fossem pagos US$ 3 milhões, equivalente ao seu passe, descontados os 40% a que o atleta teria direito. De outro, os advogados do goleiro propuseram abrir mão de direitos trabalhistas a que Dida teria direito, em troca do passe. O montante, de cerca de R$ 60 mil, foi considerado "ridículo" por Perrella.
BATE -BOCA - No bate-boca entre Dida e o dirigente do Cruzeiro, não faltou ironia. O goleiro, que foi temporariamente cedido pelo Milan ao Lugano, da Suíça, afirmou que se considerava "um escravo", já que seu contrato com o clube mineiro vencera e, mesmo assim, estaria ameaçado de não poder mais atuar como profissional. Perrella, deputado federal dos mais votados em Minas, classificou a declaração de Dida como "jogo de cena" e reagiu: "Nunca vi um escravo ganhar R$ 150 mil por mês", disse, referindo-se ao salário oferecido a Dida, em fevereiro, quando o atleta recusou-se a renovar o contrato com o Cruzeiro. "Se for assim, a Toca da Raposa está cheia de escravos, todos com BMW, Mercedes, Cherokees e outros carros importados", completou.
Para os advogados de Dida, a decisão de procurar o presidente Fernando Henrique Cardoso, caso a Justiça não reconheça o direito do goleiro, de 25 anos, a ser dono do próprio passe, é justificável. "Isso é lobby contra lobby, porque precisamos lembrar que do outro lado tem um deputado federal", disse um dos representantes do goleiro. "Além disso, todo cidadão tem o direito de ir ao presidente da República para assegurar seus direitos", acrescentou.
Apesar da ação judicial, Dida conta, desde abril, com um Certificado Temporário de Transferência, expedido pela Fifa, que lhe permite jogar até que Cruzeiro e Milan cheguem a um acordo cobre o passe. O certificado vence nos próximos dias, mas deve ser prorrogado por mais um ano.

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