Quem pensa que um jogador mais experiente, próximo da casa dos 40 anos, não tem mais a mesma vontade, disposição, empolgação e até metas e sonhos de um jovem atleta, está enganado. Com o espírito de um garoto que começa a carreira, o experiente meia Carlos Alberto Dias, 37 anos, chegou esta semana ao Nacional e garantiu que está longe de encerrar a carreira. ''Estou 'fininho' e, vendo como está o futebol hoje no Brasil, sem desmerecer ninguém, não dá pra parar já. Não vê o Romário? O cara vai fazer 40 anos e tá matando a pau no Brasileiro'', justificou-se.
No bate-papo com a reportagem da Folha durante a apresentação do elenco do Nacional para a disputa do Campeonato Paranaense, na segunda-feira, no Estádio Erick George, em Rolândia, Dias fez uma confissão logo após justificar a decisão de jogar mais alguns anos. ''Tenho sonhos e metas ainda. Vou voltar para um time grande. Sempre sonhei em jogar no Atlético Paranaense''.
E é essa possibilidade de aparecer para o Furacão que vai impulsionar o meia nos jogos do Nacional no Campeonato Paranaense. Questionado se a melhor fase da carreira foi vivida no início da década de 90, quando defendeu Botafogo e Vasco, entre outros clubes, e chegou à seleção brasileira, comandada na época pelo atual técnico e xará do jogador, Carlos Alberto Parreira, Dias respondeu de bate pronto e com um grande sorriso. ''A melhor fase é agora no Nacional, pô''.
O meia dá a receita da longevidade. ''A família é o segredo, o alicerce e você tem que se cuidar ao máximo, dentro e fora de campo. Aqui é teu ganha pão'', disse, apontando para o gramado.
O primeiro contato com o time de Rolândia aconteceu no gramado do Estádio Willie Davids, em Maringá, onde o seu time, o Operário, havia acabado de perder o acesso à Primeira Divisão para o Galo, com a derrota por 3 a 0. ''Eu estava meio de cabeça quente e nem quis muita conversa. Dei meu telefone pra ele e depois acertamos'', ontou o meia.
O ele que o jogador se refere é o técnico Dirceu Mattos. Ao receber o telefonema do treinador, Dias não pensou duas vezes e disse sim à proposta do time de Rolândia. ''Foi o jogador mais fácil para nós contratarmos'', revelou o presidente do Nacional, José Danílson de Oliveira.
''Não contratamos o Dias somente pelo nome que ele tem, mas pelo que ele fez no Operário, onde foi o ponto de equilíbrio. É um líder em campo'', elogiou Mattos. Já na chegada, o treinador viu a disciplina do jogador. ''Foi o primeiro a acertar e hoje (segunda-feira) o primeiro a se apresentar. É bem profissional e leva tudo com seriedade''.
Interior Com a mudança para Rolândia, uma cidade de aproximadamente 50 mil habitantes, ele terá que se acostumar novamente com o ritmo do interior. ''Estou acostumado com Rio, Brasília. Essa vinda pra Rolândia vai me fazer lembrar de quando comecei, lá no Matsubara, em Cambará. Vai ser bom. Fiquei muito feliz'', relembrou.

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