Dias dos Pais aperta o coração dos boleiros
No futebol, há poucas exceções nessa data em que a regra é ficar longe dos filhos
Mauro FrassonSEMPRE JUNTOSEspinosa (D) e Cerpa: Vamos comemorar antes e depois do jogoCesar AugustoDE VEZ EM QUANDOIvanildo com o filho Helinho: Eu fico desesperado de saudade
Ed Carlos Rocha
Marcos Freitas
Fernando Tupan
De Curitiba
Claudio Osti
De Londrina
No jogo de hoje entre Paraná Clube e Flamengo, o técnico do tricolor, Valdyr Espinosa, vai estar junto do seu filho, Rivelino Cerpa, que é auxiliar. Os dois vão estar trabalhando, mas poderão comemorar juntos o Dia dos Pais. No meio futebolístico, eles podem ser considerados exceção. Numa profissão em que a data sempre coincide com o dia sagrado para a bola rolar, o domingo, jogadores e técnicos já se acostumaram a passar o dia longe dos seus pais e de seus filhos.
Quem pode estar junto, como é o caso de Espinosa e de Cerpa, deixa transparecer a alegria pela situação. É claro que é bom estar sempre ao lado da família. Se temos esse destino de dificilmente estar juntos aos domingos, temos que comemorar quando a união é possibilitada, disse Espinosa, que esperar festejar a data com uma vitória do Paraná.
Para Cerpa, embora na hora do trabalho o que prevaleça seja a relação chefe-subalterno, poder estar perto do pai é motivo de alegria - principalmente hoje. Vamos comemorar antes e depois do jogo, afirmou Cerpa, garantindo que o papai Espinosa vai ganhar um bom presente.
Quem também vai poder comemorar hoje é o atacante Sinval, que vai estar ao lado de seu primeiro filho, Wendell, recém-nascido. Sinval conseguiu esse prêmio por sorte. Isso porque o Coritiba jogou ontem e hoje os jogadores estão liberados. O atacante não nega a corujice. O garoto é novinho ainda, mas é muito bonito e tem a cara do pai, brinca o atacante.
Wendell, que mora em São Paulo com a mãe e uma irmã, está em Curitiba comemorando o dia dos pais bem pertinho de Sinval. É bom matar a saudade e ficar junto da criançada, alegra-se. A vinda de Wendell faz com que o centroavante tenha mais fome de gols. É mais uma boca para comer; por isso tenho que trabalhar mais, torcendo para que os gols continuem aparecendo, diz.
Mas quem recebeu um verdadeiro presente dos dias dos pais foi Ageu, ex-Paraná Clube. Recém-contratado pelo Coritiba, o zagueiro disse que ter assinado com o alviverde foi um presentão adiantado. Pai do menino Diego, de três anos, Ageu disse que tem muito o que comemorar hoje. Para quem até quinta-feira passada estava parado, hoje, Dia dos Pais, estar contratado por um grande clube é uma alegria imensa.
A situação do meia Adriano é totalmente diferente do companheiro. Natural do Nordeste, o jogador não vai ter Adriano Júnior ao seu lado, pelo segundo ano consecutivo. É muito duro estar longe dele mais uma vez. Mas vou ligar para ele explicando que hoje é Dia dos Pais, uma data muito especial.
Já o técnico Oswaldo Vadão Alvarez não se lembrava quando seria a data festiva e ficou surpreso quando lhe contaram. Vai dar tempo de comemorar. Vou para Mogi Mirim (SP) depois da partida contra o Palmeiras, encontrar com meus filhos e netos, para comemorar. Espero mesmo é receber meu presente dos jogadores atleticanos: uma vitória no Parque Antarctica.
Ivanidlo: vida cigana - Viagens, hotéis, concentrações, mudanças de clubes, a vida de jogador de futebol, ao contrário da maioria das pessoas, é um constante arrumar e desarrumar malas. Os atletas que são casados e que têm filhos são os que mais sofrem. Hoje é uma dessas datas que se passa de coração apertado, de saudade.
Hoje de manhã o zagueiro Ivanildo, do Londrina, estará treinando no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD) para enfrentar o Bragantino, amanhã à noite. À tarde estará concentrado, com os demais companheiros. Ele é um desses pais que estarão longe dos filhos.
Casado há 11 anos com Elizabete Souza Lima, ele é pai do garoto Hélio, de apenas três anos. Hoje ele não poderá estar com o filho, que, de vez em quando, visita-o no trabalho. O garoto até demonstra já ter alguma intimidade com uma das paixões do pai, a bola.
Ele está com a mãe no Rio e só virá para cá na próxima semana, diz Ivanildo. Zagueiro, marcador eficiente, que se impõe em campo, fica todo derretido quando fala do filho. Eu fico desesperado de saudade. Ligo todo dia, até duas vezes por dia. Ele é muito apegado comigo. Está numa fase que sente muito a minha falta, fica rebelde e diz para a minha mulher: eu quero o meu paizinho.
Ivanildo reconhece que as constantes viagens e mudanças de cidade atrapalham a convivência com a família. Eu sempre converso com eles e explico que se eu abdico um pouco da família é para dar mais conforto para eles. Depois que Helinho nasceu, o pai coruja já levou a família para morar em São Carlos (SP), Goiatuba (GO), Campinas (SP), Ponta Grossa (PR), Presidente Prudente (SP) e Londrina. Eu sempre levo a minha família comigo, diz ele.





