Diário do Pré
Paulo Briguet
O general Luxa é engraçado. Teima em pedir o fim das vaias à Seleção. Absurdo. Mesmo diante do microfutebol que seu time apresentou nas três primeiras partidas, a torcida de Londrina foi de uma paciência monástica; incentivou a equipe de todas as formas possíveis; só vaiou quando não restava outra opção. Solicitar o fim das vaias é como exigir de um escritor que não use vírgulas; de um músico que não toque a nota dó; de um médico que não faça diagnósticos; de um motorista que jamais dobre à direita; de um jornalista que não pergunte. (Quanto a este último ponto, Luxa parece não gostar mesmo de perguntas.)
Há coisas que pertencem à natureza do futebol, e a vaia é uma delas. Não se pode eliminá-la por decreto, súplica ou chantagem emocional. Nem por apelos patrióticos, como preferia Zagallo. A única maneira legítima de calar as vaias é jogar bem.
Nunca é demais lembrar Nelson Rodrigues, que disse certa vez: A base sentimental da torcida é o ódio, não o amor. Sem ódio, não há torcida possível.
Só um belo drible, um golaço ou uma vitória incontestável têm o poder de silenciar o estrondo maldoso da vaia. Só o futebol de verdade é capaz de trocar o sinal do ódio, transformando desprezo da torcida em admiração explosiva.
Em outro gesto típico, Luxa proibiu os microfones à beira do gramado. Não quer transmissão nacional dos palavrões que dirige ao time. Note-se que jamais pensou em usar termos mais leves; apenas não quer os microfones por perto. A transmissão dos palavrões pela TV causaria constrangimento à imagem de Luxa diante da família brasileira. Esse Luxa que usa termos de baixo calão, nada recomendável para crianças ou para moças de fino trato, não pega bem. Faça como eu digo, mas não diga o que eu faço.
O marketing pessoal de Wanderley Luxemburgo não confundir com o verdadeiro general Luxa é bem outro. O técnico da Seleção quer passar a imagem de um homem absolutamente equilibrado, dono de imensa autoridade, vestido com terno e gravata impecáveis. Palavrões e vaias não combinam com o Luxa virtual, comandante supremo das Forças Brasileiras, ainda que às vezes seja inevitável pronunciá-los e escutá-las no mundo real.
NELSINHO!
O Brasil vencia a Venezuela por apenas 1 a 0, no início do segundo tempo, quando o grito ganhou força entre a torcida da arquibancada descoberta no Estádio do Café. Nelsinho, Nelsinho, Nelsinho, pediam os torcedores, indignados com a inoperança do ataque comandando por Fábio Júnior. Nelsinho, para quem não sabe, é um ex-meia-atacante do Londrina. Apesar das limitações técnicas, o baixinho jogador conquistou fãs entre os torcedores londrinenses por ser aguerrido e marcar gols salvadores nas horas mais difíceis. Não se sabe se o grito da torcida foi em tom de sátira ou desespero.
REQUISITADO
Inicialmente, o pedido de substituição de Wanderley Luxemburgo pelo auxiliar-técnico Candinho foi ouvido durante os jogos da seleção no Estádio do Café. Agora, a reivindicação já chegou ao hotel onde os jogadores e comissão técnica estão concentrados, no centro da cidade. Assume este time, Candinho. Coloca ordem na casa, que o Luxemburgo não está com nada. Assume, Candinho, antes que este barco afunde de vez, pediu um torcedor no momento em que a delegação deixava o hotel e seguia para o treinamento. Candinho tido pela imprensa como mais acessível e bem-humorado que Luxemburgo prosseguiu impassível, sem sequer olhar para o torcedor. Não deixou transparecer satisfação ou reprovação pelo elogio.
FOMINHAS
O zagueiro titular da Seleção Brasileira pré-olímpica, Fábio Bilica, acusou seus companheiros do Venezia, da Primeira Divisão italiana, de discriminação. O jogador, de 21 anos, disse que no primeiro ano teve problemas porque nunca passavam a bola para ele por ser estrangeiro. Ele tem contrato com o time italiano até 2002.





