Paulo Briguet
Das qualidades que definem um craque, Rivaldo talvez só não tenha a mais dispensável – aparência.
À primeira vista, ele não parece craque. Seu tipo desengonçado não lhe credencia em absoluto. Desinformados sobre quem é o homem, não o escalaríamos para uma pelada de final de semana, daquelas que têm as equipes escolhidas no par ou ímpar. Rivaldo – ironia! – tem jeitão de grosso.
Esta coluna, metida a besta, já se aventurou a discutir uma das questões mais antigas da filosofia – a distinção entre essência e aparência. O objetivo era aplicá-la ao futebol.
Pois Rivaldo, eleito melhor jogador do mundo pela Fifa, acaba com as filosofadas. Em campo, ele dá o exemplo vivo de que não é preciso ter jeito de craque para sê-lo. Com Rivaldo, a essência deu o drible da vaca na aparência.
Rivaldo foi eleito anteontem. Caso raro de segunda-feira que traz boa notícia, contrariando a lei do gato Garfield.
Na Copa América e nas recentes atuações pelo Barcelona, Rivaldo justificou plenamente a escolha. No entanto, ele nunca deixou de mostrar as cores do seu talento nos times em que atuou. Corinthians e Palmeiras muito lhe devem.
Rivaldo tem defeitos, é claro, mas não caberia aqui discuti-los. A eleição do craque só tem a somar e servir de exemplo – de meta – neste momento difícil que vive a Seleção Brasileira no Pré-Olímpico. Bom seria se a inspiração de Rivaldo fosse hoje inoculada nos ânimos do Brasil contra a Venezuela.
Só há um problema. Melhor do mundo, Rivaldo terá que respirar numa atmosfera de alta periculosidade: holofotes 24 horas por dia, overdose de mídia, super-exposição, assédios comerciais milionários e a cobrança permanente de atuações magníficas.
Sobre Ronaldinho, sabemos que efeito isso já teve. Esperamos que Rivaldo saiba administrar a honraria e o talento, mesmo neste planeta-bola regido pelas aparências.
Que o mundo lhe seja leve, Rivaldo.
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Permitam-me um comentário alviverde atrasado. No domingão, o Palmeiras de Luiz Felipe Scolari arrancou um empate de 3 a 3 do Vasco em São Januário. O Porco, desfalcado de estrelas, surpreendeu justamente pelos pés menos famosos. Fica o apelo, compartilhado por um colega de sofrimento: Felipão, tenha Pena de mim.

PEGA LADRÃO
O torcedor Sérgio Menarin, encontrou problemas quando foi regularizar a situação das cadeiras cativas do Estádio do Café. Seu pai, Aurelino Menarin Jr., que mora em Curitiba, o autorizou a usar as duas cadeiras e o box, que comprou na época da construção do estádio. Quando chegou na Prefeitura, teve uma surpresa. Só tinha uma cadeira. A outra cadeira e o box, já tinham sido liberados para outra pessoa. Segundo o coordenador das cativas no Estádio do Café, Aníbal da Cruz, alguém deve ter apresentado os documentos do proprietário. Nos dois últimos jogos, um policial ficou de plantão na entrada das cativas. Sem sucesso, a perseguição ao ladrão das cativas continua.

EM MARINGÁ
A Caixa Econômica Federal (CEF) passará a vender ingressos do Pré-Olímpico também em Maringá, a partir do quadrangular final, que será disputado nos dias 2, 4 e 6 de fevereiro. Os bilhetes estarão à venda a partir de sexta-feira na Agência Maringá da CEF, na Rua Santos Dumont, 600.

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