Paulo Briguet
Além de banir as faixas ‘políticas’ do Pré-Olímpico, a Confedereção Sul-Americana de Futebol (Conmebol) inventou de proibir os hinos das seleções.
Pela decisão surrealista da Conmebol, só o Brasil poderá cantar seu hino, por ser o país anfitrião. As outras equipes, não. Justificativa: a torcida local costuma vaiar os hinos de países adversários.
Os cartolas sul-americanos parecem ignorar que a execução dos hinos faz parte do ritual do futebol em jogos internacionais.
Leitor: coloque-se no lugar dos jogadores adversários. Num jogo fora do país, você preferiria cantar o hino, mesmo sob vaias, ou permanecer em silêncio, escutando apenas os anfitriões?
É claro que as vaias, no caso, pouco importam. Através da história, elas se tornaram tão inseparáveis do futebol quanto o grito de gol. Na impossibilidade de censurá-las (como gostaria de fazer), a Conmebol resolveu tratar caspa com decapitação. A banda do 5º Batalhão de Polícia Militar – e não a Banda Municipal de Londrina, como esta coluna disse incorretamente – teve que ficar em casa depois de ensaiar os hinos sul-americanos.
O hino, a bandeira e as cores do uniforme são apenas símbolos de cada país. Mas se a vaia da torcida justificasse a exclusão desses símbolos, o futebol se tornaria impraticável. O esporte ficaria sem bandeiras, sem torcedores, sem uniformes, sem bola, sem nada.
A decisão de ‘resguardar’ os hinos nacionais lembra – e muito – a paranóia militarista que já assolou o continente. Na época das ditaduras em verde-oliva, o poder fardado não admitia que os símbolos nacionais se incorporassem ao cotidiano das pessoas. Essa visão ufanista, que transforma hinos e bandeiras em deuses inatingíveis, estava sepultada. E vem a Conmebol tentar ressuscitá-la.
Palmas para a decisão da juíza Oneide Negrão, de Londrina, que por uma liminar determinou a volta dos hinos. Os adversários do Brasil têm todo o direito de cantá-los. Se parte da torcida vaiar a execução, problema (e direito) dela. Muitos, certamente, não irão agir assim.
Por falar em palmas, uma informação à Conmebol: pelas regras de bom tom, o Hino Nacional Brasileiro também não deve ser aplaudido, pois já é uma louvação em si. Será que os impertinentes aplausos servirão para justificar nova censura no Pré-Olímpico?

007 e BANG-BANG
Os londrinenses que optaram pela TV Globo ou pela TV Bandeirantes na quarta-feira, durante o jogo Brasil x Chile, assistiram a filmes antigos. Na tela global, enquanto a turma do Luxa suava em campo, Roger Moore vivia aventuras de James Bond, o agente 007, papel que o ator abandonou há vários anos. Na Band, um faroeste daqueles, com brigas de pistoleiros bêbados e perólas da dublagem no estilo ‘Matem-no!’ ou ‘Venha cá, pequena!’. Para quem quis acompanhar a partida da Seleção sem ir ao Estádio do Café, restaram duas alternativas: emissoras de rádio ou TV por assinatura.

BOLA FORA
De tão nervosos com a atuação meia-boca do time de Luxemburgo contra o Chile, alguns torcedores, no momento de extravasar, chegaram a confundir o nome do ‘maestro’ do meio-campo brasileiro: pelo menos em duas ocasiões, conforme constatou a reportagem da Folha na arquibancada, o coritibano Mozart teve o nome trocado pelo de outro mestre da música clássica.
– Volta pra casa, Beethoven.

É TUBARÃO!
No jogo com o Chile, o torcedor londrinense se comportou como sempre: pacato, bem comportado, quase passivo diante da partida. Tradicionalmente, é preciso que o time para o qual está torcendo faça algo para entusiasmá-lo. E como o jogo esteve prá lá de morno, os torcedores se manifestaram apenas no final – com uma sonora vaia após o empate do Brasil na estréia do Pré. Antes, porém, apesar do período de vacas-magras e da indecisão dos dirigentes do Londrina quanto ao futuro do clube, o torcedor alviceleste demonstrou a sua paixão pelo clube. Fez questão de marcar seu território gritando bem alto:
– É Tubarão.

VÍCIO DE PODER
Funcionários e assessores da Prefeitura de Londrina compareceram em peso anteontem ao Estádio do Café, para torcer pelo Brasil. Por todos os lados (principalmente nas tribunas) era possível ver o pessoal do executivo municipal devidamente credenciado assistindo à partida. Uma dessas pessoas, ligada diretamente ao gabinete do prefeito Antonio Belinati (PFL), ao que parece deixou a ‘‘credencial’’ subir à cabeça. Durante uma discussão com um segurança, a pessoa soltou a famosa e batida frase:
– Você sabe com que está falando?

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