Diário do Pré
Paulo Briguet
Depois da goleada em cima de Trinidad e Tobago, já deu pra perceber que adversários de qualidade não são exatamente aquilo que a Seleção Brasileira procura nos jogos preparativos de competições importantes. Com todo respeito à Costa Rica (que amanhã poderá fazer-me engolir o que eu disse) e à própria equipe de Trinidad (descontando as botinadas), foi impossível não pensar em qual seria o pior time de todos os tempos.
Olheiro da grosseria, vasculhei o fundo da memória, passeei pelos sábados mais distantes, especulei nos gramados mais ralos, percorri as associações esportivas mais mequetrefes, explorei as várzeas mais escondidas e escalei o time dos pesadelos:
CHESTER: Se calcularmos a média das poucas partidas em que cometeram a loucura de deixar que ele atuasse, conseguiu o feito de ser um dos goleiros mais vazados da história. Em vez de camisa 1, ele usava a 12, para agradar a torcida. Chester apenas se esqueceu de avisar a torcida. Em sua curta carreira, tornou-se um gigante de avicultura, humilhando a cidade de Cotia na produção de frangos. Desistiu do futebol quando passou a ter que espalmar (sem sucesso) os rádios de pilha que vinham na direção da meta.
FEIJÃO: Lateral-direito que em tudo lembrava Perivaldo. Exceto nas virtudes. O time dos solteiros deu uma festa quando ele se casou.
DITÃO ENFERMARIA: Atleta de nome auto-explicativo. Quando o juiz era decente, Ditão não passava dos dois minutos de jogo sem tomar ducha. Ele levou a sério a máxima de que a principal virtude de um zagueiro é o sangue frio. Pena que tentasse arrancá-lo dos atacantes adversários. Você está pensando em quem eu estou pensando? Pois é, multiplique por noventa e você vai ver o que é um beque açougueiro.
LEITÃO: O outro zagueiro do nosso nightmare team ganhou o apelido depois de chutar a bola mais alta num campeonato rural, levando como prêmio o referido suíno. O único problema é que passou a aplicar esse fundamento em todos (eu disse todos) os lances. Certa vez, chutou a bola tão alto e longe que ninguém mais a encontrou. Era a única bola disponível. Acabou o jogo.
GOLE: Eis um lateral-esquerdo que conquistou a posição por causa de seu talento. Ele era um tático. Colocando a Undenberg pertinho da risca do gramado, dava umas talagadas sem comprometer o ritmo da partida. Caía de produção quando o bandeirinha pisava na garrafa.
BICHADO: Aqueles que o viram em ação nos três primeiros jogos da carreira previram um futuro brilhante para esse meia defensivo. Na quarta partida, Zé Carlos (seu verdadeiro nome) caiu na grama aos 13 minutos de partida, pôs a mão no joelho direito e já saiu mancando e apelidado. Dizem que uma vez, em Pirapora, ele conseguiu entrar jogando no segundo tempo. Dizem, mas não garantem.
RODOLFO: Volante de grande vigor. Não pegava na bola o jogo inteiro, mas se a coisa redundava em pancadaria, era com ele mesmo. Reza a lenda que uma vez bateu até em cão treinado da PM. Depois de um jogo contra a seleção dos carteiros de Tremembé do Oeste, sua terra natal, nunca mais recebeu correspondência. Seu grande azar foi que o campo ficava mais perto de casa que o ringue. Popó teve mais sorte na vida.
CARLINHOS REPOUSO: Manja o saudoso Enéas, aquele que dormia em campo, mas de repente acordava e fazia um lance genial? Pois então: o Carlinhos foi o Éneas que nunca acordou. A ciência até hoje estuda seu caso particular de sonambulismo ou catatonia futebolística.
PIOLHO: Meia ofensivo que não recebeu o apelido pela falta de higiene dos cabelos, mas pela sua força física. Era esmagado com um simples toque do polegar adversário. Provava (centenas de vezes durante a partida) que Newton estava certo: a tendência dos corpos na superfície da Terra é cair. O Piolho, meia ofensivo? Essa é boa!
GATO: O apelido do atacante era antigo. Isso porque, na década de 50, ele atuara com documento alterado na equipe juvenil. Depois, ganhou maturidade, peso, lentidão. Ah, se não existisse impedimento! Mesmo assim, Gato foi recordista sul-americano de gols de barriga, até porque esta ocupava a maior parte de seu corpo.
GIBINHA: Soooooó, meu! Esse artilheiro aqui era o maior legal, tá sabendo? Muito maluco... Qual o problema de jogar óculos escuros? Ó o cara!
VALENTIM (téc.): Caso raro de juiz que, de tanto apitar na mesma várzea e ser xingado pelos visitantes, tornou-se técnico. Atualmente, estuda a possibilidade de tornar-se cartola.
É, Luxa. Acho que você prefere Trinidad e Tobago, não?
INGRESSOS
Apesar da indefinição quanto aos locais para a venda de ingressos para o Grupo B do Pré-Olímpico, em Cascavel, ao menos os preços já foram anunciados pela CBF. Mulheres, crianças e estudantes pagarão apenas R$ 5,00 nas arquibancadas. O preço para homens será de R$ 10,00. Nas cadeiras o ingresso custará R$ 20,00. A venda (já com locais definidos) deve começar amanhã sábado.
COMPUTADORES
Mais de trezentos jornalistas do Brasil e exterior estão sendo esperados em Cascavel. Para receber melhor os visitantes, a sala de imprensa do Estádio Olímpico foi totalmente reformada. Também foi readequado um espaço que servirá como sala de entrevistas.
ABERTURA
O vice-prefeito de Cascavel e coordenador local do Pré-Olímpico, Eduardo Marassi, está anunciando a apresentação de três grupos folclóricos na abertura oficial do evento, na próxima terça-feira, a partir das 18h30. Também haverá desfile de modelos com as bandeiras dos países participantes.
FALHA 1
O texto da manchete da primeira página de ontem deste Caderno informou que o Brasil venceu Trinidad e Tobago por 8 a 0. Errado. O resultado correto é 7 a 0, como informavam o título da matéria e a ficha técnica do jogo. E o gol marcado por Lucas foi o sexto, não o quinto.





