Paulo Briguet
Há uma frase – meio gaiata, meio realista – na imprensa: ‘‘Título bom é o que cabe’’. O drama diário do editor é condensar a informação mais precisa e interessante num espacinho desse tamanho, ó. Como jornal tem hora pra fechar – e ela chega depressa – as manchetes que saem no dia seguinte são as possíveis, raramente as ideais.
Pense na cena, caro leitor. O pobre jornalista está ali, diante do computador, tentanto bolar um título para sua matéria sobre a Seleção Brasileira. E eis que aparece o seguinte nome diante dele: Wanderley Luxemburgo.
Gente, assim não dá. Faço aqui um protesto: o nome é muito comprido! Só de escrever Luxembu já se foi 80% do espaço para dar título à reportagem.
Tenho o maior respeito pela família Luxemburgo. Entre seus representantes, inclui-se um de meus ídolos, a revolucionária Rosa Luxemburgo. Mas a provável antepassada do treinador da Seleção era mais conhecida por Rosa. Que simples.
Para felicidade dos jornalistas, há um saudável hábito histórico de abreviar nomes. Veja o caso do Juscelino Kubitschek. Carlos Lacerda tentou atingir o adversário apelidando-o de JK. A história todos conhecem: longe de ficar ofendido, Juscelino adotou JK. No caso de Fernando Henrique Cardoso (ufa!), não há quem não use, por fácil, a sigla FHC. Sem falar em ACM, JFK, Che...
No futebol, então, é covardia. Os nomes curtos ganham de goleada. Eles são melhores pra todo mundo: torcida, repórteres, editores, galvõesbuenos, marias-chuteiras, cartolas, colecionadores de figurinhas – e, claro, pra quem está no gramado.
Exemplo: Pelé. Alguém aí pensa em designá-lo por Edson Arantes do Nascimento? A seleção de craques de todos os tempos é constituída por nomes simples, que ocupam no máximo uns 30% dos títulos: Puskas, Cruijff, Yashin, Eusébio, Platini, Maradona, Zico, Tostão, Garrincha, Sócrates. A exceção – não se pode ter tudo – fica por conta de Franz Beckenbauer. Mas, nove entre dez casos, o nome do futebolista é curto, sintético, editado, suficiente.
Portanto, diante dos argumentos, defendo aqui uma prática já adotada por algumas publicações cariocas e paulistas: Luxemburgo é Luxa!
Sou da antiga. Lógico que, ao encontrar o treinador em ocasião social, usarei respeitosamente ‘‘professor Luxemburgo’’, como manda a boa educação. Mas no jornal a história é outra.
Luxa. Não é legal? Luxa. Luxa.
Sei que posso, com tal atitude, desrespeitar o Manual de Redação da Folha. Sei que meu chefe poderá torcer o nariz para essas liberdades. Sei que o pessoal da CBF não vai gostar. Mas – ô, tranquilidade! – gostaria de ver estampado nas manchetes: Luxa diz... Luxa faz... Luxa escala... Luxa manda... Luxa acerta... Luxa tenta... Luxa responde... Luxa quer... Luxa pensa... Luxa bate um bolão...
Só espero que o Luxa não reclame.

ORDEM E PROGRESSO
Josoé de CarvalhoComo era mesmo que a gente era obrigado a cantar no colégio? ‘‘Salve o lindo pendão da esperança...’’ Sempre tive dificuldade em decorar essas letras, mas hoje o rapaz da foto me fez lembrar o ‘‘Hino à Bandeira’. Observem o afeto que se encerra em seu peito juvenil. O rapaz e o leque de queridos símbolos da terra desfilam livres pelo lado de lá do cordão de isolamento. Indiferente à presença militar, o torcedor dá bandeira e espera a Seleção. Salve o símbolo augusto da paz.
(Paulo Briguet)

Organização do Pré
procura voluntários
A organização do Pré-Olímpico está ofertando 20 vagas para voluntários dispostos a trabalhar nos centros de informação espalhados pela cidade, como rodoviária e aeroporto. Os interessados devem ligar para o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), no fone 43-342-2074. Atualmente, 30 estagiários de diversos cursos trabalham nesse setor.

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