Diário do Pré
Paulo Briguet
A proibição de faixas políticas durante os jogos do Pré-Olímpico, por ordem da Confederação Sul-Americana (Conmebol), me traz certa imagem à memória. Faço uma pequena viagem no tempo.
1982. A Polônia vive sob a ditadura do general Jaruzelski, obediente às ordens de outra ditadura, a da União Soviética. O proscrito Sindicato Solidariedade desafia os dois regimes autoritários ao mesmo tempo. Na Copa do Mundo da Espanha, pelas quartas-de-final, jogam Polônia e União Soviética. Um grupo de manifestantes abre uma faixa do Sindicato Solidariedade no estádio. Policiais espanhóis comparecerem para retirar a faixa. Mas, antes disso, o mundo vê a mensagem democrática do Solidariedade.
Sempre considerei que o futebol não deve ser sinônimo de alienação política. Não há dúvida que o esporte serviu a ditaduras; mas ele também foi palco de grandes movimentos democráticos. O ópio do povo, de repente, se transforma em pedra no sapato dos poderosos. Vamos fazer outra viagem no tempo.
1984. Brasil. Tendo como mestre-de-cerimônias o locutor esportivo Osmar Santos, a oposição leva milhões às ruas na campanha por eleições diretas para presidente. Vestindo um uniforme amarelo, parecido com o da Seleção Brasileira, o povo brasileiro grita Diretas, já!. Jogadores de futebol famosos, como Sócrates, sobem ao palanque e participam da campanha. As praças de capitais brasileiras mais se parecem com estádios lotados.
De volta a 2000: democracia e futebol podem caminhar juntos. Esta coluna faz um apelo aos comitês locais organizadores do Pré: deixem que as pessoas se manifestem! Não existe nada de errado na livre expressão seja na rua, em casa, no trabalho ou numa arquibancada de futebol. Favor não confundir a publicidade não-paga de mercadorias com a liberdade do torcedor-cidadão.
Sei que a censura às faixas não é nova. Mas a ordem da Conmebol bate de frente com a lei. Por mais que as entidades de futebol sejam poderosas, elas não estão acima da Constituição Brasileira. E esta é clara ao garantir a liberdade de expressão e pensamento. A propósito: Fifa, Conmebol, CBF e outras entidades do futebol são modelos de democracia e transparência? Deixo a resposta para o leitor.
O grande problema da proibição da Conmebol está em definir o que é e o que não é uma faixa política. Quem vai decidir o que está e o que não está dentro do espírito da competição? Delegaremos essa função ao prefeito, ao secretário, ao governador, ao ministro, ao presidente, ao cartola? Ou quem sabe à polícia?
Vaias e aplausos, por exemplo, pertencem ao espírito da competição mas, ao mesmo tempo, são gestos políticos. Alguém pensa em proibi-los, porque a Conmebol mandou?
E tem mais: a presença festiva das autoridades diante do público e das câmeras de TV no Pré-Olímpico de Futebol pode ser considerada uma atitude política. Mas ninguém até agora pensou em barrar o prefeito, o secretário, o governador, o ministro, o presidente, o cartola.
Só as faixas estão proibidas pela Fifa.
Os políticos, não.
Mario CesarRECICLAGEM
Além de faixas e cartazes sobre o Pré, a Prefeitura de Londrina encontrou outra maneira de saudar os participantes do torneio: aproveitou as árvores metálicas estilizadas que haviam sido decoradas para o Natal. Os enfeites foram substituídos por bandeiras dos 10 países que disputam o torneio.
NA PORTA
Cerca de 100 pessoas se aglomeravam na entrada do Estádio do Café, em Londrina, às 16h30, quando os portões foram abertos. A maioria do grupo era formada por vendedores ambulantes, mas era possível encontrar torcedores que foram devidamente equipados (carregando almofadas) para aguentar as cinco horas antes do início do jogo do Brasil. Para ver o Brasil jogar vale qualquer sacrifício, justificou o pastor evangélico Sérgio Aparecido da Silva, que estava acompanhado do filho Rafael, oito anos.
CAMBISTAS
Assim que as agências da Caixa Econômica Federal e a rede lotérica encerraram a venda dos ingressos, ontem, às 12 horas, os cambistas entraram em ação. Em frente à agência central da Caixa, um cambista oferecia ingressos com um ágio de 50% e tentava convencer os torcedores dizendo que os bilhetes estavam esgotados. Mesmo argumento era usado pelos vendedores que ficavam na entrada do estádio ontem à tarde alheios à presença da PM, que prometera prender os cambistas.
DIPLOMACIA
A segurança do Pré-Olímpico ganhou o reforço de 40 policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), que terão atuação velada para evitar ação de grupos radicais ou políticos que tentem criar problemas diplomáticos para o Brasil. Já consultamos a Interpol sobre algumas pessoas que estão em Londrina, disse o delega Mário Ramos.





