Paulo Briguet
O velho radialista sentou-se na poltrona do ônibus, depois de um dia de trabalho. Havia narrado mais uma final de campeonato, aos 70 anos de idade, 52 de carreira. Voltava para casa junto com os colegas de imprensa. Poucas horas antes, o Brasil havia sido campeão da Copa América do Paraguai 99. Cansado depois de mais uma jornada de futebol, o radialista discutia amenidades com companheiros de trabalho.
O homem estava ali, quase ao meu lado. Em tudo, Fiori Giglioti demonstra ser um cidadão simples, pacato e gentil. Mas a bela voz, sempre marcante, revela que estamos diante do locutor das multidões, uma legenda do futebol e do cotidiano do Brasil.
Sentado a duas poltronas de distância, com seu bigodinho inconfundível, Fiori Giglioti parecia ser – e é – um cidadão pacífico e sereno. Por isso, contive o impulso de ir até ele e dizer:
– O senhor não sabe o que já me fez sofrer, meu velho!
Sei que isso foge às regras do jornalismo imparcial, mas devo ser franco e confessar-me palmeirense. Tragicamente, minha infância e meu interesse por futebol coincidiram com os longos 17 anos que o Palmeiras foi uma equipe sem títulos. De 1976 a 1993, o ‘‘alviverde imponente’’ alinhavou uma sucessão de azar, tropeço, incompetência e fatalidade. ‘‘Alviverde impotente’’, gozavam os corintianos, com certa razão na época.
Durante as tardes de domingo, nesse terrível jejum que durou 17 invernos (ou seriam infernos?), Fiori Giglioti me feria com seus prenúncios de derrotas definitivas, empates pífios ou vitórias insuficientes. Suas frases me causam suor frio até hoje:
– Abrem-se as cortinas, começa o espetáculo!
– Agueeeeenta, coração!
– O teeeeempo passa!
Pela voz de Fiori Giglioti, as tardes de domingo colocavam à prova minha vulnerável condição humana, levando-me da esperança ao desencanto, da tristeza à euforia, no espaço de 90 minutos. Com frases impiedosas e narração acelerada – mesmo que a bola estivesse longe da área –, Fiori Giglioti se escondia atrás das ondas AM para me fustigar com o realismo fantástico dos gramados. É sofrido ouvir uma partida de futebol pelo rádio. Principalmente numa tarde de domingo dos anos 80.
Não sei por quê, mas quando a emissora saía do ar por alguns segundos, a transmissão sempre voltava em meio a um grito de gol. Eram angustiantes aqueles segundos em que eu esperava o fôlego de Fiori Giglioti acabar, para saber se o gol era do Palmeiras ou do adversário. E o narrador das multidões, para minha desgraça, tinha um fôlego de baleia assassina. Aquele grito parecia não acabar nunca – nunca.
De certa maneira, Fiori Giglioti é responsável pela maior prova de lealdade que já recebi. Ela veio de meu avô, o seu Briguet, um corintiano. Mesmo roxo de amor pelo alvinegro do Parque São Jorge, capaz de ficar doente pelo time, seu Briguet abriu uma incrível exceção. Nos últimos anos da vida, ele torcia para dar empate no Palmeiras x Corinthians. Tudo para não ver um moleque alviverde desconsolado diante do rádio.
Enquanto Fiori Giglioti gritava seu interminável goooooooooooooooooooool, o seu Briguet, ao meu lado, cruzava os dedos à espera de um empate.

COMÉRCIO
Comerciantes de Londrina querem ter horários flexíveis para abrir suas lojas durante o Pré-Olímpico. Em reunião realizada sexta-feira à tarde, com a comissão organizadora do torneio, eles pediram ao prefeito Antonio Belinati (PFL) que baixe um decreto autorizando a abertura do comércio nos horários dos jogos. Os comerciantes acreditam que, como o torneio atrairá milhares de pessoas à cidade, elas vão querer fazer compras e se divertir. Participaram da reunião representantes do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Sociedade Rural do Paraná e de grandes redes de lojas.
MENU
O churrasco foi cortado do menu dos jogadores da seleção Sub-23 do Uruguai. A culpada é uma nutricionista, que preparou uma dieta rica em carboidratos. Com a carne vermelha praticamente abolida, os craques uruguaios se contentam no almoço com arroz, feijão, pastas e saladas.
PARCELAMENTO
Os servidores e aposentados da Prefeitura de Londrina e também de órgãos da administração municipal poderão pagar os ingressos para jogos do Pré-Olímpico em até três parcelas, sem juros. Os valores serão descontados mensalmente nas folhas de pagamento de cada funcionário. A decisão foi anunciada pelo prefeito Antonio Belinati (PFL), depois de reunião com a comissão organizadora do evento. Serão beneficiados com o parcelamento os servidores da prefeitura, Codel, Acesf, Sercomtel, cohab, Ippul, Comurb, AMA, Pavilon, Caapsml, Fundação Municipal de Esportes e Casa do Empreendedor.
PRESENTE
O coordenador-geral do Londrina, Célio Guergoletto, presenteou Wanderley Luxemburgo com uma camisa do Tubarão. Além da camisa, o técnico da Seleção recebeu uma fita de vídeo sobre o clube londrinense. Luxemburgo agradeceu aos presentes e afirmou ter muito carinho pelo Tubarão e por Londrina, relembrando de sua participação na inauguração do Estádio do Café, em 1976.