São Paulo, 04 (AE) - Doze mil milhas percorridas. Noventa dias navegando pelos extremos dos Oceanos Atlântico, Índico e Pacífico, onde as condições atmosféricas mudam a galope e voltam a pé. Feliz Aniversário.
Amyr ancorou onde, há exatos 8 anos, acenei para a escuna vermelha num "tchau" prolongado: de Dorian Bay até a cidade de Parati, pegando um atalho pelo Polo Norte, com uma paradinha em Capetown, na áfrica do Sul.
Foi a viagem de retorno ao Brasil que Amyr tinha iniciado, com o firme propósito de alcançar a Ilha Moeffen, localizada no Círculo Polar ártico e que hoje dificilmente poderá ser visitada por se tratar de refúgio ecológico controlado.
Peguei minha caixinha de recordações e encontrei fotos da partida, uma carta de um amigo com o tradicional "desculpe alguma coisa", pedrinhas e pedregulhos da Baía Dorian e outras simbologias que são esses souvenirs.
Amyr está eufórico com a chegada, nunca o ouví tão feliz. "Vou tomar um banho quente e fazer a barba e rever o Theobaldo ( o amigo elefante marinho) e outros vizinhos."
Os últimos 10 dias foram de ansiedade pura: 900 milhas com depressões, quebra de motor do piloto automático (sem problema tinha 3 a bordo), vela principal descosturada no tope (alto) do mastro, tudo molhado dentro do barco em virtude de condensação, e mais.
"Imagine, enquanto estava trocando o motor do piloto automático estourou a escota da vela grande, e assim vamos, câmbio..." reporta Amyr.
E o Paratii vai de encontro à Península Antártica. " .. o motor vai bem, e olhe, já tem mais de dez anos...a costura quádrupla da vela grande descosturou, mas ela continua perfeita... estou preservando-a usando a vela de temporal o tempo todo.."
É, a vela precisa de reparos urgentes, mas só com o barco parado. ".. para costurar 1 metro de vela vou gastar um rolo de linha e um dia de trabalho, depois disso dá até para consertar meu sapato que precisa de solas novas...
Amyr pegou a pior depressão nesse trecho. O barômetro indicava 964 mb (milibares) - uma queda abrupta e a mesma referência que lembro bem: com depressão semelhante capotamos o Rapa-Nui. " Peguei ela na cabeça, Hermann. O Villela, do Weather Channel de Atlanta, enviou pelo pager a notícia que viria outra atrás. Essa passou 100% em cima e vinha com dois olhos girando juntos, como se fossem olhos de dragão ... e antes o vento virou 130 graus ..."
" Preciso chegar e logo". Estava muito cansado de "pegar pauleira" e agora a ordem é descansar por uns dez dias e se aprontar para visitar a base brasileira "Comandante Ferraz", na ilha Rei George, que debuta no dia 7 de fevereiro.
Feliz aniversário, Amyr. Feliz aniversário Base Comandante Ferraz. Hermann Hrdlicka é sócio de Amyr Klink. Coordenador do Projeto Antárctica 360o e comandou o veleiro Rapa-Nui no encontro com Amyr, por ocasião do projeto Invernagem Antarctica, em 1991, a primeira viagem realizada por um veleiro e equipe brasileiros.

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