Paulo Briguet
As entrevistas de Wanderley Luxemburgo costumam primar pelo vazio. Não estou questionando a competência do técnico da Seleção Brasileira; é possível ser um péssimo entrevistado e um ótimo treinador (e vice-versa). Mas uma pérola, durante entrevista coletiva, merece registro antes da final da Copa América.
Os jornalistas faziam perguntas sobre a escalação do Brasil. Luxemburgo, como de costume, se esquivava. A certa altura, quando se comentava a saída de um jogador, um repórter indagou:
- Por quê?
- Ora, ‘‘Por quê?’’ é pergunta de criança - retrucou o técnico.
O pessoal da imprensa deu risada. Pode ter sido uma brincadeira de quem não quer falar nada, mas a frase de Luxemburgo me deixou incomodado.
Não sei se a neurolinguística pretende reformar a condição humana. Digo apenas: ‘‘Por quê?’’ é frase fundamental, não só para jornalismo, mas para todo conhecimento da realidade. Procurar a razão das coisas não é uma infantilidade. É um saudável caminho do saber para crianças, jovens, adultos, velhos, jogadores e comissões técnicas.
Hoje, Brasil e Uruguai entram em campo para decidir a Copa América. Por mais que tenham tomado rumos diferentes com o passar tempo, as duas seleções representam aquilo que se pode chamar de tradição.
Em qualquer duelo de tradição, há um elemento de igualdade e um lado épico. Na batalha campal, o time de estrelas poderá aniquilar o time de jovens, mas o contrário não é impossível. Quando se fala em tradição no futebol, nem mesmo a Nike pode eliminar o inesperado. ‘‘Just do it’’ não é o bastante.
Para o bem de todos e a felicidade geral da nação, espero que o técnico Wanderley Luxemburgo tenha vasculhado os porquês do duelo Brasil x Uruguai. Esse nunca foi um jogo de criança.


Vapt Vupt
Agradecidos, hotéis de Foz do Iguaçu que abrigaram seleções durante a Copa América descobriram formas de homenagear seus hóspedes ilustres. O Bourbon, que ontem se despediu da Seleção Brasileira, criou a Calçada da Fama, com as marcas dos pés e as assinaturas dos jogadores em placas de cimento. Os goleiros e integrantes da comissão técnica deixaram as marcas de suas mãos. Já o Hotel Iguassu Golf Club, que abrigou a seleção mexicana, construiu a Praça do México, na área de chalés do elegante clube de golfe.
México, Uruguai e Brasil, nessa ordem, lutam para tentar conseguir o Troféu Fair Play da Copa América. O México, que ontem disputaria o terceiro lugar jogando com o Chile, está na frente, com 19 pontos, seguido pelo Uruguai, com 16 e pelo Brasil, com 12. O Chile está fora porque fez menos de zero ponto nas semifinais.
O atacante Ronaldo, depois dos desentendimentos com a imprensa, decidiu contratar um assessor de imagem. O profissional encarregado de aconselhar o jogador para que seja um bom exemplo também fora de campo é o ex-assessor de imprensa do Flamengo, Rodrigo Paiva. Ronaldo confessou que se arrependeu de ter chamado a imprensa para acompanhar a compra de sua Ferrari e a partir dali começou a pensar nesse seu novo assessor.
O campeão da Copa América vai receber um prêmio de US$ 870 mil, informou a Confederação Sul-Americana de Futebol. Todos os participantes receberam US$ 200 mil. Os que passaram da primeira fase levaram mais US$ 70 mil. O resto do dinheiro será dividido assim: US$ 600 mil ao campeão, US$ 300 mil para o vice, US$ 200 mil para o terceiro colocado e US$ 140 mil para o quarto. O prêmio é infinitamente inferior ao que a entidade pagou para o Palmeiras pelo título da última edição da Copa Mercosul - US$ 5 milhões.

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