Paulo Briguet
A Seleção Brasileira vai deixar Foz do Iguaçu. Logo também iremos embora.
Estive aqui antes, há 13 anos. Levei na bagagem um litro de uísque, um tênis chinesinho e um toca-fitas (bebi; calcei; engoli uma gravação do Arrigo Barnabé). Agora, fui mais atento e menos tímido. Com a devida permissão da aduana, levarei algo mais de ti, Foz do Iguaçu.
Nos olhos, guardarei as Quedas. Todo cidadão do planeta Terra deveria ganhar uma passagem para as Cataratas, sete minutos depois de nascer. Lá, no fim do Iguaçu, cresce a lucidez da mortalidade.
Com os dedos da mão direita, contarei as estrelas dos seus hotéis, galáxia de hospitalidade onde há cafés para todas as manhãs de forasteiros.
Nas vias respiratórias, carregarei uma gripe trazida pelas rajadas frias em tuas avenidas.
Pelos ouvidos, captarei 14 frases em portunhol e o interminável burburinho castelhano de teus elevadores, lojas, ônibus e bares.
Pé ante pé, saberei com quantos passos se faz tua ponte.
No interior do fígado, sentirei a cerveja do bar da Ronaldinha.
Abusando da garganta, cantarei o verso da galopeira em sol maior, quando os amigos menos esperarem.
Em um simples movimento da cabeça, cumprimentarei as sentinelas do quartel, da esquina e do rei da canja.
Sem compras, voltarei com a sacola vazia.
Exercitando as pernas, vencerei as escadarias da sua torre mais requintada e do seu edifício mais humilde. Nos dois terraços, contemplarei todos os bairros e soltarei um fogo de artifício sem razão aparente.
Utilizando o cartão de crédito, pagarei a conta no bar onde passeia a jovem burguesia dourada.
Por meio de um raio-x, identificarei os motoristas por trás dos pára-brisas de isofilme.
Chateado, não direi a teus milhares de desempregados aquilo que eles já sabem.
Em reverência calculada, abrirei passagem para a mulher de xador, e jamais ouvirei a sua voz.
Com apetite, apreciarei o sabor do peixe que saiu de tuas águas.
Cheio de medo e respeito, olharei para as matas fechadas de teu parque.
Com amendoim, alimentarei a simpatia dos quatis.
Atenciosamente, lerei os lábios da repórter de TV à beira do gramado.
Admirado, torcerei pelos dribles do garoto Alcebíades.
Logo partirei daqui, Foz do Iguaçu. Como eu já desconfiava, a memória é uma tríplice fronteira.


Vapt-Vupt
Parece não ter fim o inferno astral em que vive o atacante chileno Marcelo Salas, que joga na Lazio da Itália e chegou à Copa América do Paraguai como a principal estrela de sua seleção. Seu desempenho ficou longe de sua fama, pois foi expulso diante da Venezuela, cumpriu dois jogos de suspensão e na volta contra o Uruguai, nas semifinais, perdeu um pênalti no tempo normal que, se convertido evitaria a disputa que acabou eliminando os chilenos. Agora, sofreu uma contratura no músculo esquerdo que pode tirá-lo da decisão pelo terceiro lugar contra o México, amanhã.
O Japão se ofereceu para sediar a Copa América de 2001 caso a Colômbia desista, segundo informação prestada ontem pelo presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (CSF), Nicolás Léoz. A hipótese de desistência da Colômbia começou a ser cogitada nas últimas semanas, em razão da onda de violência que atinge o país e setores da CSF defendem a tese de que a Colômbia dificilmente terá condições de organizar uma competição dessa envergadura.

mockup