DIÁRIO DA AMÉRICA
Paulo Briguet
Há um país. E ele teve um sonho.
Nunca havia sediado uma Copa América.
Preparou o caminho e a tabela para jogar uma histórica final contra o Brasil. Buscaria seu terceiro título.
Expulsou o general Oviedo do território nacional e da coordenação da Copa (o futebol estava no projeto de poder do militar golpista).
Levou a campo uma das melhores defesas do mundo, liderada pelo craque Carlos Alberto Gamarra.
Fez diversos hinos para celebrar a Copa, sempre ressaltando a força e os encantos do país.
Pintou-se de branco, vermelho e azul - nas ruas, nas casas, nos carros, nas propagandas de TV.
Gritou Arriba!
Esse país viu o próprio sonho ir embora do modo mais ligeiro: em uma decisão por pênaltis.
O jogo fatal ocorreu no sábado, mas nunca é tarde para lembrar a decepção profunda que a desclassificação causou ao povo. Mesmo de longe, foi possível ouvir o silêncio devastador da multidão no Estádio Defensores del Chaco, quando o Uruguai enterrou a esperança dos donos da casa. O narrador de TV parecia perdido com a falta de explicação. Ele não podia negar o inegável: ali havia uma tragédia nacional.
Seria injusto chegar ao fim da Copa América sem olhar para esse povo ferido, sem registrar a sua paixão por um time colorado. O ano de 1999 foi implacável com o Paraguai: ele poderia ter habitado as alturas, mas só conheceu as profundezas.
Dê uma olhada na página 1 e saiba se o destino do Brasil foi diferente.
VAPT VUPT
Os perdedores das semifinais da Copa América vão disputar a terceira colocação do torneio em Assunção, no domingo. A partida estava marcada inicialmente para sábado em Pedro Juan Caballero.
O técnico do Paraguai, Ever Almeida, decidiu conversar com o goleiro Chilavert para convocá-lo para as eliminatórias da Copa de 2002. Ele é um dos melhores do mundo, disse o treinador, preocupado em manter o emprego.
Apesar da tentativa de agradar à torcida, Ever Almeida teve seu nome rejeitado em uma pesquisa divulgada ontem em Assunção. Quarenta e três por cento dos torcedores paraguaios querem a volta do brasileiro Paulo César Carpegiani ao comando da seleção. Os torcedores acham que Carpegiani deveria reassumir a seleção para as disputas das eliminatórias do Mundial de 2002. Sob o comando do brasileiro, o Paraguai chegou às quartas-de-final na Copa da França em 98.
A Colômbia já está preocupada com a organização da Copa América de 2001, que será realizada no país. Temos toda a infra-estrutura adequada para os jogos, afirmou o presidente da Confederação Colombiana de Futebol, Alvaro Fina.
O técnico do Milan, Cesare Maldini, ex-treinador da seleção italiana, afirmou que o Brasil é a equipe mais completa do torneio. Ele está no Paraguai para observar algumas revelações sul-americanas.





