DIÁRIO DA AMÉRICA
DIÁRIO DA AMÉRICA
A ZEBRA
Que me perdoe o poeta. Julho é o mais frio dos meses, a zebra é o mais cruel dos animais.
Não era por acaso que as crianças pequenas sentiam medo quando o bicho revirava os olhinhos e anunciava o resultado da loteria esportiva no Fantástico.
As crianças intuíam o estrago de que esse animal é capaz com sua presença inesperada.
A zebra é preta com faixas brancas ou branca com faixas pretas? A dúvida permanecerá insolúvel na mente das vítimas que estertoram.
Ela passeou pelos gramados da Copa América, matando esperanças e pisoteando ilusões. Quatro patas são capazes de tudo. Eliminam o Paraguai, goleiam a Argentina, aniquilam a Colômbia. Calam países inteiros.
Que se acautelem os favoritos incontestáveis e os escretes imbatíveis. A zebra pasta sem misericórdia à beira do gramado, esperando apenas um vacilo para entrar em ação.
Com a zebra, estar sempre alerta é o mínimo; vigiar sem descanso é a salvação.
O Brasil entra em campo hoje à noite com todos holofotes. Não custa lembrar que a zebra tem o mesmo andar cadenciado das bestas-feras. Dos meses, julho é o mais frio. Dos seres, a zebra é o mais bestial.





