Paulo Briguet
Ontem fez um ano.
Os amigos se reuniram em casa e a cerveja da comemoração antecipada estava na geladeira. Até os menos entusiasmados por futebol discutiam a escalação e tentavam um diálogo telepático com o velho lobo Zagallo.
Acordamos sob um clima de certeza e confiança. Prosseguimos triunfantes naquele dia. Tudo seria paralisado para a final da Copa do Mundo, greve geral do Brasil. As ruas daquele domingo estariam desertas. Durante o jogo, seria seguro deitar em qualquer avenida.
No bar da esquina, nas mesas metálicas amarelas, todos discutiam o placar. Não se falava em derrota. Era Brasil 2 a 0, Brasil 3 a 0, Brasil 4 a 1, Brasil, Brasil, Brasil. Os donos da casa eram detalhes, figurantes, sparrings do penta.
De repente, a televisão começou a emitir sinais incompreensíveis. Os mais atentos viram que nem tudo estava certo. Uma interferência colorida afetava a transmissão. Notícias estranhas. Algo muito grave ocorreu entre quatro paredes. Cogitou-se Edmundo no lugar de Ronaldo. O quê?
Já com uma dúvida no fundo do espírito, os amigos se acomodaram diante da TV. Os amigos mais perspicazes notaram o semblante macilento do time brasileiro. A partida começou, e a cor amarela ganhou espaço na tela. Da camisa do Brasil, o amarelo migrou para as pernas, anulou o verde, escorregou para o gramado, tingiu o aparelho de TV, manchou o tapete da sala, inundou nossos copos de cerveja, iluminou a cabeça de Zidane. O país amarelou.
Durante o amargo intervalo, já havíamos sucumbido. Até a voz de Galvão Bueno adoeceu. Muitas cervejas permaneceram fechadas, em seu amarelo gelado e deprimente. Desanimados, os amigos resolveram terminar o domingo numa pizzaria. Mussarela, por favor.
Façam tudo. Comemorem novas vitórias. Digam que faz parte do passado. Apontem o início de uma nova era. Só não peçam para esquecer aquele domingo, 12 de julho de 1998. O misterioso dia em que nos afogamos no amarelo.




Vapt Vupt
Doze horas depois de ser eliminada da Copa América pelo Brasil, a Seleção Argentina deixou, ontem pela manhã, o Hotel das Cataratas, em Puerto Iguazú, onde estava hospedada, e rumou para Buenos Aires. O estabelecimento - um dos mais requintados da cidade argentina, na fronteira com Foz do Iguaçu - pode ficar com fama de pé-frio. Foi lá que se hospedou a Venezuela na primeira fase do torneio. A Venezuela foi eliminada após três derrotas.
Apesar da tensão vivida no campo e nas arquibancadas, o período após o jogo entre Brasil e Argentina foi de surpreendente tranquilidade. A Polícia Nacional paraguaia não registrou incidentes em Ciudad del Este envolvendo torcedores. Em Foz do Iguaçu, só um problema: brasileiros jogaram ovos em ônibus de argentinos. Não houve prisões e nem feridos. A Polícia Militar escoltou os 25 ônibus de argentinos que cruzaram a cidade. A operação envolveu 150 policiais, 30 carros e 20 motos.
A convocação dos jogadores que disputarão a Copa das Confederações a partir do dia 24, no México, não teve, ontem, a mesma pompa tradicionalmente reservada aos anúncios da Seleção Brasileira. A divulgação da lista, marcada inicialmente para as 11 horas, foi adiada para as 18 horas. Às 16 horas, no momento da saída do ônibus que levou os jogadores para mais um treinamento no Estádio Pedro Basso, o assessor de imprensa da CBF, jornalista Carlos Lemos, distribuiu cópias da relação dos nomes.
A CBF ainda não desistiu de trazer para Ciudad del Este a decisão da Copa América. Espera apenas a partida de amanhã com o México para, então, manter contatos com a Confederação Sul-Americana.

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