Paulo Briguet
Há três campos de futebol vizinhos, à margem da avenida paraguaia. Seis times se enfrentam na tarde de sexta-feira. Sem saber, os 66 jogadores fazem preliminares anônimas para o jogo Brasil x Argentina. Mas o futebol pode esperar até amanhã. Hoje, eu tento entender Ciudad del Este.
Pois acreditem: existe um leste em nosso oeste. Eles convivem aqui, neste espelho que chamamos de fronteira, onde até o mais arredio monoglota diz ‘‘gracias’’ em vez de ‘‘obrigado’’. Mesmo assim, a senhora que toma conta do banheiro, mergulhada em pensamentos, não responde.
O policial impede a passagem e quer documentos. O menino insiste em cuidar do carro. Gritam os vendedores de camisinhas musicais. Antes, durante e depois de Ronaldo, as lojas estiveram vazias. A sujeira se acumula nas esquinas. No meio da calle, alguém sem braços ou pernas vigia. O mais embaraçoso em Ciudad del Este é encontrar aquilo que já conhecemos.
Quando cai a chuva e o dia escurece, Ciudad del Este parece um cenário de ficção científica, onde os andróides fogem dos humanos e vice-versa. As lojas se empilham na geometria torta de um barroco involuntário. De vez em quando, surgem frestas entre as mercadorias, pelas quais aparecem comerciantes chineses, coreanos, árabes, paraguaios e brasileiros. Eles nos observam e analisam em seus dialetos. Daqui a cem anos, Ciudad del Este terá uma língua própria, um esperanto do comércio, da fronteira e da ansiedade.
O leste terá sempre um perfume para os vaidosos, um uísque para os boêmios, um aparelho para os lares, um cigarro para os desesperados, uma sacola para os iniciados, um encanto para as velhinhas, um destino para os ônibus, a razão para uma ponte. E eu estarei procurando você - Ciudad del Este.

Dois jogadores da seleção do México, que hoje enfrenta o Peru, em Assunção, pelas quartas-de-final da Copa América, foram protagonistas do primeiro caso de doping da competição continental. Segundo a Confederação Sul-Americana de Futebol (CSF), os volantes Lara e Chávez jogaram a partida em que o México perdeu para o Brasil por 2 a 1 na primeira fase da competição dopados. Chávez jogou sob o efeito de anabolizantes, enquanto o problema de Lara foi o excesso de testosterona na sua urina.
A Comissão Disciplinar da Copa América suspendeu os atletas pelo resto do torneio e mandou o caso para o Comitê Executivo da CSF, que deve decretar uma pena maior para os dois jogadores. Lara e Chávez estavam escalados no time principal do México no jogo de hoje.
Também deu positivo o controle antidoping feito no material colhido do jogador equatoriano Luis Moreira, após a partida contra o Uruguai, na abertura do torneio, no dia 4 de julho. Moreira não será punido pelo fato de o médico da delegação, Patricio Maldonado, ter informado ‘‘em tempo’’ à Comissão Antidoping que havia administrado um medicamento ao jogador que contém a substância proibida ‘‘pseudoefedrina em concentração maior do que a permitida’’.
O árbitro brasileiro Wilson de Souza Mendonça - escalado para apitar a partida de hoje entre o México e Peru - tem ‘‘um coração peruano’’. Mendonça é casado com uma peruana, que conheceu durante uma rápida passagem por Lima, quando dirigiu uma partida pelas eliminatórias da Copa do Mundo.
Os membros da Confederação Asiática de Futebol (AFC) abandonaram ontem a sala em que se realiza o Congresso Extraordinário da Fifa, em Los Angeles, como protesto pela decisão de não conceder à Ásia cinco vagas para o Mundial de 2002, na Coréia do Sul e Japão. A Fifa cedeu apenas quatro - duas para os países organizadores e mais duas através da fase eliminatória da Zona Asiática.

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