DIÁRIO DA AMÉRICA
Paulo Briguet
Os céus não deixaram que o jogo Brasil x Chile chegasse ao fim.
A neblina veio lentamente, como quem não quer nada. Ela parecia inofensiva e passageira, mas não era. Foi tomando conta de tudo, mostrando que a força da natureza é superior a todos os contratos de transmissão.
Nem mesmo com a melhor visão de jogo do mundo seria possível vencer a névoa. Simplesmente, ela fez a bola desaparecer. Debaixo da névoa, o craque e o perna-de-pau são igualmente sofríveis.
A neblina não queria mais ir embora. O juiz chamou os capitães e encerrou a partida. É um acontecimento raro no futebol. Na maioria das vezes, a falta de condições de jogo é determinada por brigas, invasões de campo ou chuvas torrenciais.
Mas, durante esta Copa América, o Paraguai já trouxe pelo menos duas situações raras: 1) o jogador que perdeu três penâltis em uma só partida (Palermo, da Argentina) e 2) a partida encerrada por falta de visibilidade.
Dá o que pensar: a neblina não poderia ter baixado em momentos mais decisivos? Antes de Paolo Rossi fazer aquele terceiro gol da Itália contra o Brasil, em 1982? Minutos antes de Gighia virar o jogo no Maracanã, em 1950? E se a neblina comparecesse no Estádio de Saint-Denis, adiando por uma semana a final da Copa da França?
Nunca saberemos. A neblina só compareceu em 6 de julho de 1999, durante um Brasil x Chile, em Ciudad del Este.
O resultado do jogo entre Brasil e Chile (1 a 0 para o Brasil) só foi confirmado oficialmente por volta do meio-dia de ontem. Foi neste horário que a Confederação Sul-Americana mandou um comunicado à CBF anunciando ter acatado a decisão do árbitro argentino que suspendeu o jogo aos 40 minutos por causa da forte neblina que envolveu o Estádio Tres de Febrero. O Chile pleiteava jogar os seis minutos restantes.
A folga dos jogadores, ontem, envolveu os astros da imprensa nacional. O narrador da TV Globo Galvão Bueno não se cansou de contar a aventura de ter pilotado um dirigível - como o antigo Zeppelin - por vários quilômetros, para o desespero dos colegas que o acompanhavam.
Estou muito feliz. Vocês não podem imaginar a alegria com que eu saí deste jogo. A frase é do atacante Ronaldo para os jornalistas, comemorando a grande mobilidade e condição física demonstrada na partida com o Chile. O jogador garante não sentir mais as dores no joelho nem na panturrilha e, depois de meses, voltou ao peso normal.
Roberto Rivellino, ídolo do futebol brasileiro e tricampeão do mundo em 70, tem biografia na praça. O livro Sai da Rua, Roberto!, escrito pelo jornalista Osvaldo Pascoal, pretende contar como o garoto Roberto, que dava trabalho à mãe, continuou dando mais trabalho ainda, depois de crescido, aos zagueiros do futebol mundial. O lançamento em Foz do Iguaçu foi realizado ontem à noite, no Hotel Internacional.
Incomodados pelos boatos dando conta do interesse de clubes europeus pelo passe do atacante Ronaldinho, artilheiro do Campeonato Gaúcho e nova sensação da Seleção Brasileira, diretores do Grêmio mandaram afixar uma faixa em frente ao Estádio Olímpico, em Porto Alegre, com dizeres enfáticos: Não vendemos craques. Favor não insistir.
A CBF queria que a Confederação Sul-Americana transferisse a decisão da Copa América para Ciudad del Este caso o Brasil fosse à final e o Paraguai, não. Não chegou a ser um pedido oficial, apenas uma sondagem - imediatamente rechaçada pela Conmebol. A cartolagem brasileira não pode mesmo ver um regulamento pela frente.





