DIÁRIO DA AMÉRICA
DIÁRIO DA AMÉRICA
MÃE E FILHA
Paulo Briguet
Sexta-feira passada, 4 da tarde, no horário paraguaio. Vinte e quatro horas antes, mãe e filha haviam chegado à porta do banco para comprar ingresso do jogo Brasil x México. Caía uma chuva fina sobre Ciudad del Este.
Os companheiros de fila arranjaram uma banqueta e um espaço para as duas sob a marquise da agência bancária. A filha, de 3 anos, dormia sobre o colo da mãe. Ambas usavam agasalhos, mas era óbvio que sentiram frio durante a madrugada.
Entre quinta e sexta-feira, cerca de 4 mil pessoas esperaram na fila por ingressos. O banco só iria abrir em três horas.
No meio da multidão, a mulher embala a menina, que usa chupeta.
Os torcedores, com a fisionomia de cansaço, encontram ânimo para fazer brincadeiras e falar da Copa América.
Chego perto da mulher e da menina. Ao contrário da maioria, ela desvia o rosto quando a chamo em portunhol.
- Señora, señora!
A mulher não parecia disposta a falar. Mesmo assim, perguntei se estava animada para o jogo do Brasil.
Ela fez sinal de negativo. Não iria assistir à partida.
A mulher passou 28 horas na fila, com a filha, para comprar dois ingressos que nem seriam dela. Tudo para ganhar um punhado de guaranis?
Na Ponte da Amizade, naquele instante, cambistas vendiam ingressos com ágio.





