Diário da América
Paulo Briguet
Mané garantiu ingresso com ágio, cruzou a Ponte da Amizade, comprou uma capa de chuva amarela, vestiu a camisa 9 do Brasil, entrou orgulhosamente no Estádio Tres de Febrero.
Dali a pouco, o moço estaria realizando um sonho de infância: ver a Seleção Brasileira de perto. Dois dias antes, Mané havia feito uma aposta com os amigos.
Ao chegar, desenrolou imediatamente a faixa e colocou-a em ponto estratégico do estádio. Ele a encomendara com semanas de antecedência. Lia-se: GALVÃO, OLHA AQUI O MANÉ.
Com o binóculo, Mané localizou a cabine da Globo. Galvão estava lá, sorridente.
Mané bem que tentou. Balançou os braços, riu, gargalhou, dançou o Tchan, fez micagens, comprou e tocou uma corneta, pulou, colocou duas rodelas de chipa sobre a cabeça, gritou o nome de todos os patrocinadores da Copa América. Fez tudo isso com um olho na cabine do Galvão e outro nas câmeras.
O jogo? Ora, o jogo começou. Mas a prioridade, naquele momento, era outra.
Mané não esperava uma concorrência tão grande. Pelo estádio, surgiam centenas de faixas, com formatos e estilos. Todas com uma palavra em comum: GALVÃO.
O tempo e a bola corriam - e a faixa do Mané não aparecia na TV. Amoroso fez o primeiro gol. E nada do Galvão. Alex acertou seu petardo. E o Galvão só tinha olhos para as outras faixas. Ronaldo perdeu várias chances. E o Galvão ignorou Mané. Terrazas descontou. E o Galvão passou batido. Rivaldo foi expulso. E o Galvão não pinçou a mensagem do Mané. O Brasil tomou um sufoco. E o Galvão sem dar um sinal de vida.
Fim de jogo. Brasil 2, México 1. A segunda partida já começava.
Mas ainda restava uma esperança. Mané telefonou do estádio para casa. A mãe confirmou a triste notícia: a faixa do rapaz não havia aparecido na TV.
Usando o binóculo, Mané conferiu e lamentou:
- O Galvão foi embora.
Depois de tanto esforço, Mané percebeu que não havia assistido ao jogo. Fez então uma das únicas coisas que ainda não havia feito na arquibancada: chorou.
Limpou as lágrimas, enrolou a faixa, saiu cabisbaixo.
Do outro lado da Ponte de Amizade, o que Mané diria aos amigos? Nada. Apenas pagaria a caixa de cervejas e o kit de material esportivo.
Não estou protegendo o jogador;
podem deixar que no dia que precisar
dar uma porradinha nele, vou dar
Wanderley Luxemburgo, técnico da Seleção Brasileira
COLUNA ESQUERDA DO VAPT-VUPT
O técnico Manuel Lapuente creditou à má atuação do atacante brasileiro Ronaldo - que perdeu várias chances de gol - o fato de o México ter sofrido apenas dois gols no primeiro tempo do jogo contra o Brasil, sábado. Ele acha que a equipe repetiu os erros da partida contra o Chile e foi vacilante no início. Quando começou a se acertar, já estava perdendo por 1 a 0, disse ele na entrevista coletiva concedida depois da partida de sábado, em Ciudad del Este.
No segundo tempo, de acordo com a análise de Lapuente, o México fez boas jogadas de ataque, mas errou nas finalizações. Saíamos bem, íamos bem até próximo à área do Brasil. Mas, no final, não sabíamos o que fazer e entregávamos a bola muito facilmente. O técnico tentará evitar que os erros se repitam, pela terceira vez, contra a Venezuela, na rodada de manhã, que classificará duas - ou três - equipes para a próxima fase.
COLUNA DIREITA DO VAPT-VUPT
Os torcedores que assediam os jogadores da Seleção Brasileira em busca de autógrafos tiveram uma surpresa no hotel da concentração e no treino da equipe reserva, ontem, no Estádio do ABC. A turma do Casseta & Planeta - programa semanal da Rede Globo - começou a gravar um programa com a Seleção na Copa América. Entre os personagens, estava o exigente técnico Discipliney Luxemburgo, que queria disciplina até de um histérica torcedora, vivida por Bussunda (foto).
Nem parecia que se estava no Brasil. Durante a inauguração da Praça do México, ontem à tarde, no Hotel Iguassu Golf Club, em Foz do Iguaçu, onde a Seleção Mexicana está hospedada, não se falou português. A cerimônia foi toda em espanhol, com direito a discurso em inglês pelo dono do hotel, o norte-americano Daniel Teng.
Os torcedo res que asse diam os joga dores da Se leção Brasi leira tiveram uma surpresa no hotel da concentração e no treino da equipe re serva, ontem, no Estádio do ABC. A turma do Casseta & Planeta - programa da Rede Globo - começou a gravar um programa com a Seleção na Copa América. Entre os personagens, estava o exigente técnico Discipliney Luxemburgo, que queria disciplina até de um histérica torcedora, vivida por Bussunda (foto).
Nem parecia que se estava no Brasil. Durante a inauguração da Praça do México, ontem à tarde, no Hotel Iguassu Golf Club, em Foz do Iguaçu, onde a Seleção Mexicana está hospedada, não se falou português. A cerimônia foi em espanhol.





