Paulo Briguet
O jogador acaba de fazer o gol do título.
O estádio vibra. A torcida grita, com segurança: ‘‘É campeão!’’ O tempo passa rapidamente em direção ao apito final; a glória é certa.
Além de tudo, o jogador está convocado para a Seleção. Embarca amanhã para os treinos.
Os fatos conspiram a seu favor. Depois de fazer o gol, ele tem a bola dominada nos pés. Nenhum marcador por perto. A equipe adversária está cansada, abatida, sem estímulo. A torcida do outro time já se retira da geral, com as bandeiras enroladas, os rojões intactos. ‘‘É campeão!’’, berra a galera vitoriosa, bandeiras ao vento, rojões explodindo no ar.
É quando a tarde de outro domingo vem à mente.
Aquele campeonato não era tão importante. Ele não estava convocado para Seleção alguma - talvez apenas para o combinado do bairro. Jogava em gramado ralo. A torcida, pequena e local, espremia-se nas laterais para ver a molecada jogando, o melhor programa de domingo. Ele acabara de fazer o gol decisivo, matando as esperanças do adversário.
O atacante não usava chuteiras. Não usava tênis. Não trazia nada nos pés - que não fosse a bola.
A lembrança não dura mais que um décimo de segundo.
A multidão canta a vitória. Ele resolve mostrar a que veio. Está livre; é o campeão, o melhor, todos gritam seu nome, a vida se desloca a seu favor. Por um lapso, outorga-se até mesmo o direito de debochar dos outros mortais. Nada o impede de abraçar o mundo com as pernas.
O jogador levanta a bola. Ela pára uma fração de tempo no ar, obediente. Ele bate na esfera mais uma vez. E outra. Um toque mais forte, e a pelota quase se equilibra, contra a Lei de Newton, sobre a nuca. Eis o mais inatingível, solitário e glorioso dos homens. É o dono da bola, no meio do povo. Pela alteração de algumas normas da física terrestre, virou senhor do tempo e do espaço, moleque-imperador no meio da multidão.
Um segundo depois, o império desaba. O princípio do prazer cede lugar ao princípio da realidade. Os locutores o condenam em uníssono pelos microfones das cabines. Os companheiros de equipe ficam desorientados. Os adversários, humilhados e ofendidos, partem para cima do jogador. O gramado vira teatro de operações de guerra. O técnico da Seleção não o quer mais no time.
Por que tinha de ser assim? A resposta é simples: a plástica das embaixadas, no meio do jogo, favorece a estética, mas agride a ética.
O moleque sai de campo, solitário e descalço.




Albari Rosa

VAPT-VUPT
A Polícia Militar de Foz prepara esquema especial para o policiamento nas ruas, durante a Copa América. O objetivo é coibir a ação de punguistas (batedores de carteiras) e de menores que fazem o chamado ‘‘cavalo louco’’ - ação individual ou coletiva na qual o infrator arranca os pertences da vítima. De acordo com o comando, é comum o aumentar o número de delinquentes que praticam esse tipo de crime no período de eventos do gênero. Os policiais orientam moradores e turistas para que tomem mais cuidado nas ruas com bolsas e pacotes. O 14º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela região, conta com um efetivo de 358 policiais só em Foz. A corporação contará com reforço de mais 200 policiais, no período de 25 de junho até 20 de julho.
Nos 60 minutos em que se colocou à disposição dos jornalistas ontem à tarde no Hotel Bourbon, Wanderley Luxemburgo só se recusou a responder um tipo de pergunta: sobre o caso Edílson, cortado por ele da Seleção devido ao tumulto, atribuído ao atacante corintiano, na decisão do Campeonato Paulista. ‘‘Não quero mais falar sobre isso’’, repetia o técnico.
Wanderley Luxemburgo afirmou ontem que só divulgará o time que enfrenta a Venezuela na estréia da Seleção Brasileira na Copa América na próxima segunda-feira, véspera da partida. Mas destacou que tem a escalação na cabeça.
Pode não ser um recorde, mas a marca é significativa: o paulistano Federico Paduan (foto abaixo), de 7 anos de idade, exibia com orgulho, ontem à tarde, uma bola novinha em folha com os autógrafos de todos os 22 jogadores da Seleção. Esse foi o resultado da tietagem explícita que o garoto promoveu nos quatro dias em que ficou hospedado com a família no Hotel Bourbon, onde a delegação brasileira está concentrada. Para os amiguinhos mais afoitos, Federico vai avisando: a bola será plastificada de tal forma que os autógrafos fiquem lá para sempre. Peladas, a partir de agora, só com outra bola - com aquela, jamais.

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