Diário da América
A padroeira está por perto
Paulo Briguet

A imagem na romaria: bem próximo do futebol Robson Meireles/Gazeta do IguaçuCoincidência ou não, a padroeira da América estará presente na Copa. Chegou ontem a Ciudad del Este, onde a Seleção Brasileira vai jogar, a romaria da padroeira do continente. No último final de semana, os romeiros levaram a imagem a Foz do Iguaçu, onde a equipe do Brasil está concentrada. Um grupo de dezenas de fiéis já percorreu nove mil quilômetros, desde 1992, em devoção à Virgem de Guadalupe, atraindo milhares de católicos. A romaria terminará em 8 de dezembro de 2000, em Buenos Aires.
Como sempre, há religião por perto do futebol. Quem nunca viu o sinal-da-cruz do atacante antes do pênalti? Quantos campeões não ajoelharam em preces após a final? Quantas promessas não faz o torcedor por um bom placar? Nossa Senhora de Guadalupe deve ser testemunha.
A história da santa atravessa gerações.
Em 1531, um índio, Juan Diego, procurou o bispo do México, Juan de Zumarrága, e contou ter visto a Virgem Maria no alto de um monte. A santa teria pedido que ele procurasse o religioso, levando uma mensagem de fé ao povo. O bispo não acreditou na história - e lhe pediu uma prova da aparição.
Só que Juan Diego não tinha como provar nada.
Dias depois, seu tio adoeceu gravemente e pediu a presença de um padre. O sobrinho iniciou caminhada até a casa do bispo, mas procurou desviar-se do lugar em que a santa aparecera. Mesmo assim, ela surgiu. Pediu que o índio subisse o monte. No cume, onde normalmente só havia rochas e gelo, Juan Diego encontrou estranhas rosas. A santa garantiu:
- Essas rosas serão a prova de que precisas.
Juan Diego embrulhou as flores num manto e levou-as ao bispo. Quando as rosas foram retiradas, a imagem da Virgem estava no manto.
Essa história da tradição católica é contada há quase 500 anos. A imagem original é preservada desde a época de Juan Diego. Nossa Senhora de Guadalupe vive na mente de milhões de fiéis latino-americanos. Por ter aparecido a um indígena, ela simboliza o sofrimento da população pobre do continente; sempre está acompanhada da imagem do Cristo Negro.
Que a proximidade da Padroeira inspire o espetáculo, abençoe os gramados, favoreça os dribles, puna o antijogo, proteja os craques, segure os cabeças-de-bagre, multiplique os gols, ilumine os árbitros, anime a galera, abençoe a Copa América que o continente espera. No cume da arquibancada, a torcida agradece.


VAPT-VUPT
Albari RosaPalmeirenses ávidos por autógrafos em Foz: decepção no aeroportoO Hotel Bourbon, que hospeda a Seleção Brasileira, escalou uma equipe de quatro cozinheiros, oito garçons e dois maitres para atender exclusivamente os cerca de 30 integrantes da delegação - entre jogadores e comissão técnica. As refeições são feitas em um dos três restaurantes do hotel, vetado aos demais hóspedes.
Se depender da assessoria de imprensa da CBF, o atacante Ronaldinho, do Grêmio, convocado para substituir Edílson, vai adotar um adendo a seu nome para se diferenciar do xará, mais famoso do que ele. Ontem, os assessores só o chamavam de Ronaldinho II. Resta saber se o jogador vai aceitar o novo apelido.
A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) divulgou que os hotéis de luxo (quatro e cinco estrelas) de Foz do Iguaçu já estão com cerca de 70% dos seus apartamentos reservados para o período da Copa América. Nos estabelecimentos de três estrelas, as reservas giram em torno de 50%. Foz tem 195 hotéis, com 23 mil leitos.
Na coletiva da manhã no Hotel Bourbon, entre as muitas respostas sobre o corte de Edílson e a convocação de Ronaldinho, Luxemburgo analisou, de leve, as equipes que, segundo ele, podem sair do Paraguai com o título da Copa América. Sobre a Argentina, que não chamou seus principais jogadores, ele falou em tradição. Em relação ao Uruguai, em renovação. A respeito dos anfitriões, destacou que o Paraguai manteve a base do time que realizou boa campanha no Mundial da França. E completou dizendo que o México, um dos rivais diretos do Brasil no Grupo B, há tempos está se preparando para o torneio. Esqueceu do Chile de Salas & Zamorano.
No treino da tarde, no Estádio do ABC, um grupo de três meninas vendia, por R$ 10,00, a ‘‘Agenda da Copa América’’. Trilíngue - português, inglês e espanhol - a agenda, que é ideal para fãs, traz até um espaço para autógrafos dos ídolos.
Cercados por um forte esquema de segurança, os recém-chegados jogadores da Seleção não passaram ontem pelo saguão do Aeroporto de Foz do Iguaçu, e decepcionaram muitos fãs que pretendiam conseguir autógrafos. Os garotos palmeirenses José Augusto Azevedo, Gabriel Azevedo, Mateus Stathacos e Marcel Stathacos só queriam saber de Alex. Uma única voz discordante era o pequeno Lucas, corintiano, e naturalmente mais interessado no autógrafo de Vampeta. Outro torcedor do Timão, vestido na bandeira do time, flutuava pelo saguão, parecido com um fantasma, sem encontrar os ídolos.



Aplausos a Luxemburgo - Para refletir sobre a atitude do jogador Edílson, coloquei-me no seu lugar. Buscando ganhar o jogo sem se preocupar com os meios e as consequências que poderiam acarretar. Ele deve ter pensado: 1) estamos no segundo tempo; 2) temos grande vantagem em gols; 3) o Palmeiras estava melhor em campo, mesmo tendo dez jogadores; 4) irrito os adversários e os abalo psicologicamente, podendo até conseguir a expulsão de um de seus jogadores; 5) conquisto a torcida corintiana; e 6) respondo as ‘‘alfinetadas’’ verbais trazidas pela imprensa. Sob o ponto de vista do jogo estava perfeito, o problema é que ele não pensou que poderia causar o incentivo à violência dentro e fora do gramado, como uma guerra entre as torcidas, e que esta é uma atitude antidesportiva utilizada por amadores e ele na condição de profissional não poderia ter feito.
A atitude do técnico Luxemburgo foi perfeita e oportuna quando desconvocou o Edílson. Não basta jogar um ótimo futebol. É preciso ter seriedade, respeito, tranquilidade, profissionalismo e pensar mais amplamente nas consequências dos atos dentro e fora do campo. Que esta atitude do Wanderley sirva de lição para os torcedores, técnicos, jogadores e jornalistas que incentivam direta ou indiretamente atitudes como a do Edílson, e, principalmente, para Paulo Nunes, Euller, Zinho, Evair, os Júniors, Cleber, Edmundo, Romário, etc.
Danilo Santos, Londrina

Este é um espaço para manifestações sobre a Copa América e, particularmente, a Seleção Brasileira. As correspondências podem ser enviadas por fax (043 - 339.1412), e-mail ([email protected]) ou via Correio (Rua Piauí, 241, CEP 86.010-909, Londrina-PR). São necessários nome completo e telefone para contato.

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