O dia seguinte ao título da Liga Futsal Feminina ainda foi de festa e comemoração para o time da Unopar/Londrina/Grêmio/Sercomtel. Jogadoras e membros da comissão técnica foram homenageados pela reitoria da Unopar e depois participaram de um almoço de confraternização, que serviu também como despedida do elenco, já que várias atletas viajaram ainda ontem para suas cidades de origem.
  Entre um assunto e outro era inevitável relembrar momentos importantes da final contra o Kindermann-SC. A vitória dramática, conquistada na prorrogação, ficará na mente de todas que participaram do confronto.
  Uma das mais festejadas era a goleira Bianca, que deixou o banco de reservas para se transformar em heroína. Faltando pouco mais de um minuto para o final da prorrogação, ela defendeu uma penalidade cobrada por Ariane, artilheira do time catarinense. ‘‘Eu esperava ajudar do banco de reservas, dando apoio ao time. Mas quando o árbitro marcou o pênalti, eu sabia que iria entrar. Quando vi que ela (Ariane) era destra, achei que ela chutaria no meu lado direito e foi o que aconteceu. Acho que foi minha intuição que ajudou’’, comentou.
  Bianca ressaltou que não existe sentimentos negativos, como inveja ou ciúmes, entre as jogadoras, principalmente entre as goleiras – Néia, a titular, e Glau, a outra reserva –, que trabalham juntas diariamente. ‘‘Nós somos muito unidas, uma ajuda a outra. Eu sempre treino forte para melhorar minha condição e para ajudar a Néia a continuar sempre melhorando’’, disse o ‘‘talism㒒 da Unopar.
  Quem também não escondia sua felicidade era a fixo Nívia, autora do gol que deu a vitória ao time londrinense no tempo normal (1 a 0). Mesmo tendo como característica principal a marcação, Nívia era muito cobrada pela técnica Vanda Sanches para ajudar o time na parte ofensiva. ‘‘Fico feliz em ter cumprido com o que a Vanda me pediu’’, frisou a atleta, que ontem à noite viajou com destino a Recife. ‘‘Faz um ano que não vou para casa. Quando acabou o jogo eu liguei para minha família. Todos estavam torcendo por nós’’, completou.

  Pênalti – No momento que o árbitro assinalou o pênalti contra a Unopar, um filme – nada agradável – passou pela cabeça da capitã Jayne. Ela se lembrou dos títulos perdidos nos momentos finais das decisões. ‘‘Não acreditei que aquilo voltasse a acontecer. A gente não merecia perder esse título. Trabalhamos muito durante o ano. Certamente, ninguém treinou mais do que nós.’’
  Presente na equipe desde 1993, Jayne enfrentou, ao lado de Vanda, muitas dificuldades até chegar a esse momento. ‘‘Sempre sonhei com o momento em que a torcida e a imprensa vissem o futsal feminino como algo profissional. Por muito tempo, tivemos que conviver com a desconfiança e o preconceito. Agora, acho que isso acabou’’, pontuou.
  Para concluir, Jayne descartou a possibilidade de encerrar a carreira, agora, aos 38 anos. ‘‘Já pensei nessa possibilidade, mas jogar futsal é minha grande paixão. Enquanto conseguir acompanhar o ritmo das outras meninas, vou continuar’’, prometeu.

mockup