DEZ ANOS SEM AYRTON SENNA - Mundo relembra morte de um ídolo
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sexta-feira, 30 de abril de 2004
Das Agências 
São Paulo - O dia 1º de maio de 1994 era para ser mais um feriado do Dia do Trabalho. Além do mais, tinha GP de Fórmula 1 e a grande possibilidade de ver mais uma vitória de Ayrton Senna na categoria. Porém, uma batida a mais 300 km/h na curva Tamburello tirou a vida do tricampeão mundial.
Um dia antes, o autódromo de Imola já havia protagonizado uma tragédia. O austríaco Roland Ratzenberger, da modesta escuderia Simtek, bateu forte durante o treino de classificação e morreu na hora.
A morte de Senna chocou o país. Ele havia acabado de trocar a McLaren, onde ganhou seus títulos na F-1, pela Williams, então a potência da categoria. O novato Michael Schumacher, da Benetton, já causava uma pressão em Ayrton, que ainda não havia vencido na temporada.
Para Damon Hill, companheiro de Senna na Williams, a vontade de Senna em chegar ao topo fez com que ele ultrapassasse os limites.
''Estou convencido de que ele cometeu um erro, mas muitas pessoas nunca vão acreditar nisso. Por que não? Ele teve muitos erros em sua carreira'', afirma Hill.
A questão que perdura até hoje é o que provocou a morte de Ayrton Senna. Várias teorias foram levantadas, mas a que chega mais próxima da realidade foi a quebra da barra de direção.
Ano Ayrton Senna O lançamento oficial do Ano Ayrton Senna do Brasil ocorreu em 20 de março, véspera do dia em que o piloto completaria 44 anos, com o Senna In Concert, espetáculo musical que reuniu no mesmo palco nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou depoimento e a Globo transmitiu.
Fora do Brasil, as homenagens começaram com um jantar de pilotos, dirigentes e celebridades em Dubai, em 30 de março. Em 21 de abril, partida amistosa de futebol na Itália reuniu a seleção do Brasil de 1994 e uma seleção de pilotos. Paralelamente, foi aberta uma exposição de objetos de Senna que fazem parte da coleção de um banqueiro italiano. Uma antiga Lotus pilotada pelo ídolo foi doada ao Instituto e deve ser trazida no futuro ao Brasil.
No domingo, 25 de abril, o piloto Gerhard Berger emocionou as arquibancadas do Grande Prêmio de San Marino ao dirigir uma réplica da Lotus-Renault utilizada por Senna na temporada de 1996. O nome do brasileiro também foi dado à Tribuna Principal do circuito de Ímola.
Um dos pontos altos das homenagens, porém, ainda está por vir. Este mês será aberta em São Paulo a Exposição Senna Experience, provavelmente na Sala Cinemateca. Inaugurada no Japão na semana passada, tem instalações interativas que permitem aos visitantes conhecer algumas sensações vividas pelos pilotos, além de objetos, troféus, carros e roupas de Senna. Depois, seguirá para a Europa.
As homenagens prosseguirão nos próximos meses. Em julho, o Campeonato Brasileiro de Kart será nomeado Campeonato Ayrton Senna Brasileiro de Kart. Em 1º de agosto, haverá a primeira Ayrton Senna Racing Day, maratona de revezamento no Autódromo de Interlagos. Em outubro, a inauguração do Parque das Esculturas Ayrton Senna, com obras de artistas plásticos inspiradas nos valores do piloto.
No Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, em 24 de outubro, uma bandeira gigante da Torcida Ayrton Senna do Brasil vai tomar conta da arquibancada. Dias antes, pilotos da F1 participarão de uma corrida amistosa de kart na pista desenhada e projetada por Senna. O ano ainda terá lançamentos de coleções especiais de produtos Ayrton Senna do Brasil e homenagens de crianças atendidas pelo Instituto.
Wilson Fittipaldi Júnior, ex-F-1 e ex-Stock Car
Ayrton Senna foi o grande exemplo de quem sempre lutou com todas as forças disponíveis no momento pelo melhor resultado possível. Os seus resultados todos conhecem e ele não merecia o que lhe aconteceu naquele fatídico aciente em Ímola. Ele andou a vida inteira no limite para atingir a melhor performance possível, sempre lutou para ser o melhor e conseguiu alcançar seus objetivos. Uma façanha
de um grande campeão.
Raul Boesel, Stock Car V8
Tive maior contato com o Ayrton no começo dos anos 80, quando ele começou a correr na Europa. Eu o hospedei várias vezes na minha casa, em Northampton (Inglaterra). Quando saí de lá, foi ele quem passou a morar na casa. Éramos muito jovens e lembro que o Ayrton sempre brincava com o meu sotaque paranaense. Depois, como fui correr nos EUA, nós perdemos o contato, mas eu o encontrei algumas vezes em eventos. O Senna foi um esportista muito dedicado, que sempre deu o melhor em tudo o que fez. É muito difícil prever o que seria da carreira dele não fosse aquele acidente
em Ímola.
Ingo Hoffmann, Stock Car V8
Se você levar em conta a morte dele, foi uma perda irreparável, sem dúvida, mas a grande vitória para nós, e quando eu digo nós eu me refiro ao povo brasileiro, foi o que ele fez em vida. O Ayrton foi um piloto sensacional.
Tive pouco contato com ele, quando ele estava chegando à Europa para correr atrás do sucesso eu já estava voltando de lá para correr no Brasil. É o tipo de sujeito que vai ser lembrado para sempre, não só por causa de uma data, as
por tudo que ele representou dentro e fora de uma pista de corridas.
Cacá Bueno, Stock Car V8
Quando o Ayrton entrou na F-1 eu tinha oito anos. Quando ele conquistou seu primeiro título mundial, eu tinha uns 12. Não há como um moleque da minha geração não tê-lo como ídolo. Acho que ele é o melhor de todos os tempos. Era muito arrojado e um dos pilotos mais dedicados e profissionais que já vi no automobilismo. Além de ídolo, tive o prazer de conviver com ele dentro de casa, já que era amigo da minha família. Tive a felicidade de conhecer mais seu lado pessoal e perceber que grande pessoa ele era.
Diogo Pachenki, Stock Car V8 Light
No fim de semana a televisão passou um monte de matérias do Ayrton, e aquilo me despertou uma saudade danada das corridas de domingo de manhã. Eu, para falar a verdade, comecei a correr por causa dele. Ele sempre foi o meu ídolo. Não que eu quisesse ser exatamente igual ao Ayrton, mas era nele que eu me espelhava, tanto na vida quanto numa corrida. Hoje, eu sou o único piloto do Brasil que usa a logo do Instituto Ayrton Senna no carro. Quer orgulho maior que esse? O cara que era meu ídolo, que eu sempre quis conhecer.
David Muffato, Stock Car V8
Eu sempre fui piquezista, até porque convivi muito com o Nelson, que era muito amigo do meu pai, e cresci vendo as corridas dele na televisão. Mas o Senna era o Senna. Se não tivesse acontecido o que aconteceu, ele teria dez títulos, ou qualquer coisa perto disso. O Schumacher não teria todos os números que tem no cartel. Ayrton teria vencido Michael. O Senna foi um exemplo de profissionalismo e dedicação para todo mundo, a garra que ele tinha em busca de suas vitórias era impressionante.


