Paulo Briguet
De Londrina
Houve um tempo em que a Corrida de São Silvestre era à noite.
Felizes anos velhos: sopa de lentilhas, castanha, cachorro pra baixo da cama com medo de rojão, parente que bebeu além da conta, peru com apito, carro batido na esquina e a televisão ligada para ver se algum brasileiro tinha vencido a São Silvestre.
(Salve, João da Mata!)
Mas a grade de programação da TV é a maior cadeia do Brasil. Dela, ninguém escapa. Nem a São Silvestre, por mais que corra.
Para dar espaço aos preciosos especiais globais de fim de ano – que geralmente não passam de lixo, mas rendem uma grana lascada –, a TV conseguiu mudar o horário de um evento tão querido pelo povo.
Olha, São Silvestre à tarde é uma chatice. Perdeu 90% do interesse. É mais sem graça que dançar com a irmã.
A Globo, obviamente, vai dizer que não tem nada a ver com o pato. Assim como não teve nada com esses jogos do Brasileirão que – coincidência! – começam depois da novela, obrigando o cidadão-torcedor a voltar pra casa depois da meia-noite.
Mas não tem jeito. A insossa Corrida de São Silvestre vespertina é tudo que nos resta de uma tradição.
Bom ficar de olho aberto. Do jeito que a coisa anda, a Globo vai decidir que 2001 começa ao meio-dia, antes da Ana Maria Braga.

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