'Deveria ter cobrado mais dos jogadores'
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Se a Portuguesa Londrinense tivesse uma torcida numerosa e exigente, os muros da Vila Santa Terezinha estariam pichados. Jogadores e comissão técnica estariam com medo de sair às ruas. A sala de troféus estaria protegida com vigilância extra.
Mas a Portuguesa é um clube de abnegados e seus pouquíssimos torcedores não entoam cânticos hostis, nem estão dispostos a se manifestar em treinamentos.
As pressões por bons resultados, enfim, são exercidas de outras formas. Quando é necessário, o homem-forte do clube entra em cena. E quando isto acontece, o barulho é grande equivale ao de uma arquibancada lotada de apaixonados enfurecidos.
Ontem, o diretor de futebol Amarildo Vieira Martins cumpriu seu papel. ''Não acredito mais em ninguém que está aqui. Se vocês não estiverem satisfeitos com o que acabei de falar, que me provem ao contrário'', provocou. ''Todo mundo diz que tem carinho pela Lusinha. Estou cheio de carinho, eu quero tesão dentro de campo. Se for preciso, tem que rasgar a camisa do adversário'', incitou, ainda irritado com a derrota acachapante para a Adap, por 4 a 1.
Sentado no banco de reservas, enquanto os jogadores trocam idéias no vestiário como se trocassem insultos, Amarildo lamenta a falta de sorte em alguns jogos, mas não demonstra desespero, mesmo diante do seguinte quadro: seis jogos, duas derrotas, quatro empates, penúltimo colocado, sob risco de rebaixamento no Estadual. Ele se diz estressado com o futebol, o que o teria ajudado a transformá-lo em um cartola condescendente com os maus resultados. ''Antes ia no vestiário cobrar antes, durante e depois das partidas. Não fiz isto. Deveria ter cobrado mais'', lamentou.
O técnico Adão Pereira também faz seu diagnóstico: ''Nosso time é igual ao dos outros. Mas estamos entrando em campo apáticos e sem ousadia. Nosso futebol é previsível''. Para o jogo de amanhã, às 16 horas, no Estádio Vitorino Gonçalves Dias, contra o Atlético, o treinador acredita que o time terá uma postura diferente. ''Eles sabem que o jogo será televisionado e vão querer mostrar serviço''.
Ganhar do Atlético se tornou uma necessidade. Como os dois piores do campeonato serão rebaixados, a Lusinha terá que vencer as duas partidas na última rodada o adversário será o Paraná Clube em Curitiba e torcer por maus resultados de União Bandeirante e Rio Branco.
Martins e Pereira discordam em relação ao poderio nos bastidores dos dois adversários. Enquanto o diretor de futebol acha que pode ser prejudicado (''Eles estarem assim é péssimo para a gente''), o treinador acha que o futebol vive outros tempos e que as arbitragens ''melhoraram muito no Paraná nos últimos anos''.


