Deu frança
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de julho de 1998
Nelson Cilo 
France PresseFim do sonho do penta. Os 3 a 0 da França sobre a Seleção Brasileira, ontem, em Saint-Denis, deram o título aos anfitriões. Em grande estilo. Foi a primeira conquista dos franceses na história de todas as Copas do Mundo. A fácil vitória refletiu a superioridade da França na decisão do Mundial. Os brasileiros, tímidos desde o início, não resistiram à velocidade do adversário, que soube explorar os expedientes certos para desafiar o teórico favoritismo dos tetracampeões.
Se o Brasil estava taticamente desfigurado, a França, ao contrário, trocava passes rápidos e invertia naturalmente as posições, principalmente pelo meio. Zidane atacava ou recuava para criar as opções mais inteligentes.
A França mostrou-se ofensivamente ousada. Logo aos 40 segundos, Djorkaef criou a primeira situação perigosa, ao concluir pelo alto de Taffarel. Aos 3 minutos, Zidane ajeitou a Guivarch, que voltou a assustar o goleiro brasileiro. Os anfitriões exploravam frequentemente a velocidade e arriscavam mais.
O Brasil só ameaçaria aos 18, num chute longo de Roberto Carlos. Aos 20, Ronaldinho driblou Thuram e bateu em diagonal, pelo alto, encontrando o goleiro Barthez bem colocado. Aos 27, enfim, a França abriu a contagem. Depois da cobrança de um escanteio pela direita, Zidane subiu mais que os zagueiros e cabeceou em cima de Taffarel: 1 a 0. Nem o placar desfavorável acordou o Brasil, que se mantinha lento e desentrosado. Aos 46, a França chegou aos 2 a 0. O segundo gol de Zidane - outra vez de cabeça, em uma cobrança de escanteio - pegou a zaga brasileira novamente desatenta.
Na segunda fase, nem a entrada de Denílson tirou o Brasil do sufoco. O time de Zagallo passou a atacar mais, só que de uma forma desordenada. A França insistiu na mesma tática corajosa do primeiro tempo. Aos 14, Ronaldinho, livre na pequena área, poderia diminuir a desvantagem, mas Barthez praticou a arrojada defesa.
Aos 20, Guivarch, sozinho, desperdiçou um gol certo. Aos 22, o zagueiro Desaylly atingiu Cafu, com violência, e recebeu cartão vermelho. O Brasil já desafiava o desespero que tomou conta da equipe. Zagallo tirou César Sampaio e colocou Edmundo, para dar maior força ao ataque, mas a substituição foi tardia e o atacante pouco pôde fazer. Era na base do tudo ou nada. No finalzinho, Denílson ainda acertou uma bola na trave. Aos 47, Petit fechou o placar, completando na saída de Taffarel: 3 a 0. A tragédia estava consumada para o Brasil.
BRASIL 0
Taffarel; Cafu, Júnior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio (Edmundo), Leonardo (Denílson) e Rivaldo; Bebeto e Ronaldinho. Técnico: Zagallo.


