Desvantagem deflagra crise na Ferrari
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segunda-feira, 14 de agosto de 2000
Agência Estado De Frankfurt, Alemanha 
Ontem soou o alerta vermelho na Ferrari. A tradicional reunião com o presidente da empresa, Luca di Montezemolo, na sede da equipe, em Maranello, toda segunda-feira depois de corrida, estendeu-se bem mais do normal. No GP da Hungria, domingo, a escuderia de Michael Schumacher e Rubens Barrichello perdeu, pela primeira vez no ano, a liderança dos mundiais de pilotos e de construtores. Jean Todt, o diretor esportivo, disse que Schumacher exagerou quando afirmou que do jeito que está a Ferrari não tem nenhuma chance de ser campeã.
Uma nova derrota para Mika Hakkinen, da McLaren, na próxima etapa do campeonato, no dia 27 na Bélgica, tornará a conquista do título para Schumacher quase impossível. Nem tanto pela diferença de pontos que o irá separar do finlandês, caso chegue em segundo, mas por causa do momento técnico dos dois times o inglês, nitidamente em rápida ascensão, enquanto os italianos marcam passo. Restam apenas cinco etapas para o encerramento da temporada.
Sabe-se que em Spa-Francorchamps o modelo F1-2000 da Ferrari terá novidades importantes na aerodinâmica, no motor e, principalmente, no sistema de largadas. A McLaren é mais eficiente do que nós em especial nas largadas, e hoje na Fórmula 1 isso é quase tudo, afirmou Montezemolo, ainda em Budapeste, sem deixar de criticar Schumacher, ainda que implicitamente, por ter perdido o primeiro lugar para Hakkinen na largada. O desenvolvimento da corrida poderia ter sido outro, comentou Montezemolo. O alemão o desmentiu: Hakkinen me ultrapassaria de qualquer jeito, estava muito mais veloz.
As explicações, no entanto, não estão satisfazendo a imprensa nem a torcida ferrarista. Os outros são melhores, mas não aceitamos que os outros sejam sempre melhores. Já são 21 anos sem a conquista de um título, destaca o La Repubblica. Mas crítica contundente mesmo realizou o diário La Gazzetta del Mezzogiorno. Schumacher largou em Budapeste como uma tartaruga, escreveu.
Hoje é Ferragosto na Itália. Oficialmente trata-se apenas da metade do verão, mas, por tradição, a não ser as atividades de saúde, ninguém trabalha no país. Amanhã, nem mesmo os jornais circulam. Apesar da importância da data, o Reparto Corse, a divisão de competição da Ferrari, estará em atividade. Schumacher testa hoje a F1-2000 em Fiorano e amanhã em Mugello. Rubinho treina quinta-feira em Fiorano e sexta-feira em Mugello. Enquanto isso, Luca Badoer, piloto de testes, trabalha amanhã em Fiorano e quinta-feira em Mugello.
Enquanto a Ferrari não mede esforços e recursos para se aproximar da McLaren, o time de Hakkinen inicia sua preparação para Spa, junto de outras escuderias, em Silverstone. Hoje é a vez de Olivier Panis testar o cada vez mais veloz modelo MP4/14, enquanto Hakkinen o assume amanhã e quinta-feira. O finlandês, bicampeão do mundo, declarou ontem, depois de assumir a liderança do campeonato, com 64 pontos, diante de 62 de Schumacher: O caminho para o título ainda é longo e tudo pode estar diferente já na próxima corrida. Disse mais: Sinto-me, contudo, mais confortável e confiante, a equipe está 100% comigo, estamos fortes.


