Peter Silva, presidente destituído da Futebol Brasil Associados (FBA), entidade que comanda a Série B do Campeonato Brasileiro, quebrou o silêncio e falou sobre o seu afastamento do cargo que ocupava desde o fim de 2002. Ele acusou o presidente do Paulista de Jundiaí e diretor-financeiro da entidade, Eduardo Palhares, articulador de sua queda, de ter interesses políticos com o impeachemant. No final do ano, serão realizadas as eleições na casa. Até lá, o presidente do Avaí-SC, João Nilson Zunino, fica no cargo.
''Eu era o candidato mais forte e, se ele (Palhares) não fizesse uma sacanagem, não tinha como me derrotar'', acusou Peter. ''O ano é eleitoral e por trás desse moço (Palhares) tem muita coisa que ainda não posso falar. Briga de cachorro grande nas minhas costas. Por causa de um peixe frito, tão querendo pôr fogo no mar''.
Peter entregou à Folha e à rádio Paiquerê AM cópias do dossiê de acusação elaborado por Palhares e do dossiê de defesa elaborado por seus advogados. O diretor-financeiro da FBA acusa Peter de ter desviado R$ 10 mil da conta da entidade para a conta particular dele, de comprar passagens aéreas para parentes e amigos com dinheiro da FBA e de não pagar as parcelas aos clubes referentes aos direitos de transmissão da TV Globo.
''Cada diretor tem direito a uma passagem por mês e eu, como presidente, tinha direito a duas. Como não tinha tempo para ir até Londrina, cedia as minhas passagens ao meu pai, minha mãe, namorada, filhos. E ainda assim acabei economizando porque não usei todas que tinha direito'', rebateu Peter. No dossiê de acusação estão relacionados nomes de parentes e amigos de Silva como beneficiários das passagens. Entre os nomes está até o do ex-diretor e técnico do Londrina, Raul Plassmann. ''Ele viajou pelo clube e colocaram na minha conta'', reclamou o ex-presidente.
Quanto aos R$ 10 mil, Peter disse que a transferência foi um adiantamento salarial pedido por ele e acatado por Palhares. O londrinense tinha um salário mensal de R$ 18 mil. ''Precisava desse adiantamento e falei com Palhares. Ele disse que estava tudo bem e combinamos que eu iria utilizar a assinatura dele que a gente deixava guardada no Rio e que depois ele assinaria o documento original'', explicou Peter, confirmando que esta era uma prática normal na entidade, pois o departamento financeiro ficava em Jundiaí.
Recado No dossiê elaborado por Peter, foi anexada uma prova de que Palhares deu o consentimento para a transação. Nas páginas onde o presidente do Paulista faz a acusação de desvio de dinheiro, consta um recado dele para o funcionário da entidade Carlos Marto. ''Carlos, como adiantamento Peter. Conversou comigo'', dizia o documento, assinado por Palhares e datado de 20 de abril de 2005. ''Se fosse irregular ele teria reclamado na época'', comentou Peter.
Segundo o ex-diretor de marketing do Londrina, o dinheiro adiantado teria saído do faturamento da FBA e não dos clubes da Série B. Segundo Peter, 5% de tudo o que é arrecadado pela entidade fica com ela para pagamento das próprias despesas e o restante é rateado entre os clubes.

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