Terceiro melhor jogador do mundo, ídolo na Alemanha e no Brasil, o armador-esquerdo Bruno Bezerra de Menezes Souza, 27 anos, é um craque do handebol no país do futebol. Bruno foi responsável direto pela presença da modalidade na Olimpíada de Atenas, afinal foi dele o gol que deu a vitória contra a Argentina (31 a 30) na final do Pan-Americano de Santo Domingo, em 2003, que classificou o Brasil para os Jogos. ''Foi uma conquista de todo grupo'', afirmou a maior estrela do handebol nacional.
Os passos de Bruno no handebol sempre foram trilhados pelo sucesso. Os primeiros arremessos foram na quadra do Centro Educacional de Niterói, aos 12 anos. Em 1990, se transferiu para o Niterói Rugby Clube. No clube obteve várias conquistas a nível municipal e estadual. ''Em 1996 surgiu a oportunidade de defender uma grande equipe e me transferi para a Metodista'', observa o atleta. Antes de seguir para o handebol europeu, em 1999, Bruno teve uma breve passagem pelo Vasco da Gama.
A oportunidade de atuar na Europa, especificamente na Alemanha, que possui o melhor campeonato do mundo, era tudo que o atleta precisava para alcançar o sucesso internacional. O convite surgiu após a disputa do Campeonato Mundial no Egito. Bruno se transferiu para o Frisch AUF, da cidade de Göoppingen, que disputava a segunda divisão da Bundesliga (o campeonato alemão). Na primeira temporada ajudou a levar o clube de volta à divisão de elite, após 10 anos, além de ser o artilheiro e melhor jogador da competição.
Segundo Bruno Souza, o principal motivo de seu sucesso na Alemanha está no fato dele possuir características diferentes em relação aos atletas europeus. No mundo existem poucos jogadores tão agressivos, como Bruno. ''Mesmo não sendo tão forte consigo me destacar'', explica o atleta, que nos últimos quatro anos disputou o ''Jogo das Estrelas'' da Bundesliga. ''O Bruno é um ícone do esporte'', resume o técnico da seleção brasileira, Alberto Rigolo.
Os três momentos mais marcantes da carreira de Bruno Souza, conforme ele, foram sua primeira temporada no handebol alemão, a derrota para Cuba na final do Pan-Americano de Winnipeg, em 1999, na disputa dos 7 metros (uma espécie de pênalti), quando o Brasil perdeu a chance de disputar a Olimpíada de Sydney, e a vitória contra a Argentina na final de Santo Domingo. No futuro, Bruno vai acrescentar dentre seus melhores momentos o fato de ter sido escolhido o terceiro melhor jogador do mundo em 2004, em eleição feita pela Federação Internacional de Handebol.
Sobre a participação brasileira em Atenas, Bruno é realista sobre a possibilidade de obter uma medalha. Ele sabe que o Brasil ainda não consegue jogar em igualdade de condições com as grandes potências mundiais. Mesmo assim, não desanima. ''Precisamos mostrar as características do handebol brasileiro. Podemos surpreender'', completou Bruno, que já recebeu convites para se naturalizar e defender a seleção alemã. (G.A.)

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