A Seleção Brasileira embarcou ontem para São Paulo, em vôo que decolou às 16h07, sem olhar para trás. Jogadores, membros da comissão técnica e assessores subiram a escada que deu acesso ao Boeing 727 da Varig em fila indiana e à revelia dos torcedores que lotaram o mirante do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu.
Não houve gestos. Os jogadores subiram as escadas em silêncio. Apenas o lateral esquerdo titular Roberto Carlos parou no alto da escada e trocou algumas palavras com uma pessoa que estava na parte térrea. Depois, acenou para esta pessoa e, timidamente, para o mirante.
A recíproca foi verdadeira. Entre as cerca de 200 pessoas – a maioria passageiros que aguardavam vôos, muitos deles estrangeiros, mais crianças e adolescentes da cidade – que se acotovelavam no mirante, não houve apupos ou gritos de histeria tradicionais em passagens da Seleção Brasileira por qualquer local.
Quando a delegação embarcava, um clima de exclamação contida dominou o ambiente. A impressão era de que não sabiam o que dizer. Ou não queriam dizer o que pensavam. O ‘‘gelo’’ foi quebrado por um grupo de adolescentes, que gritou o nome de Guilherme – considerado o jogador mais bonito do grupo. O atacante não se manifestou. O ônibus da Seleção entrou direto na pista do aeroporto, impedindo qualquer contato com os fãs.
A despedida e a chegada da Seleção a Foz do Iguaçu foram bastante distintas. Ao desembarcar na cidade no último dia 10, a equipe foi recebida no clima que embalou a campanha vitoriosa da Copa América de 99. Naquela ocasião, junho/julho, ficou 34 dias em Foz.
Desta vez, a saída foi melancólica – fruto da derrota para o Paraguai, terça-feira, em Assunção. Ontem, quando o avião decolou, as pessoas que estavam no mirante do aeroporto dispersaram-se em silêncio. Poucos minutos depois, o local estava vazio e levemente bagunçado. Bancos onde subiram fotógrafos e cinegrafistas estavam irregularmente dispostos.
Perto de um deles, um cartão – daqueles que se compra em livrarias, com os quais adolescentes mandam recados carinhosos para amigos e namorados – ficou abandonado no chão. Era para Ronaldinho Gaúcho, com o seguinte texto: ‘‘Você é lindo. Te esperamos sempre’’. Embaixo, os telefones de Kelly e Jacira.

mockup