Desprezo e provocações são armas da Eslováquia
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quarta-feira, 05 de abril de 2000
Por Chiquinho Leite Moreira 
Rio, 6 (AE) - A equipe eslovaca optou por uma tática irritante para abrir a disputa com o Brasil pela Copa Davis. Seus jogadores fizeram do desprezo e das provocações as armas mais fortes para ganhar pontos antes de os jogos começaram nesta sexta-feira. Na cerimônia do sorteio, por exemplo, um evento relativamente formal, os eslovacos estiveram longe da elegância nas roupas e no trato: de sandálias e meias, sentados de pernas abertas, falavam com menosprezo de tudo, como se não quisessem dar qualquer importância para as dificuldades que deverão encontrar nas partidas de amanhã a domingo, na quadra do clube Marapendi, na Barra, Rio.
O número 1 da Eslováquia, Dominik Hrbaty, 21.º do ranking, começou com uma advertência. Disse que se torna cada vez mais motivado com torcida contra e que se o público brasileiro pode se arrepender, se tentar irritá-lo.
"Se a torcida é barulhenta, agressiva, eu fico cada vez mais feroz, selvagem, e ganho ainda maior motivação para ganhar os pontos", disse.
"Já ganhei quatro vezes do Meligeni e estou pronto para vencer o quinto jogo." O clima imposto por Hrbaty ficou um pouco exagerado, a ponto dele mesmo decidir então, levantar-se e cumprimentar cada um dos brasileiros com um aperto de mãos.
Meligeni mantém a humildade mas não deixa por menos: "Acho que agora pode ser diferente", disse Meligeni. "O Hrbaty vai ter de comer muita terra se quiser vencer esta partida. Jogo não se ganha na véspera", respondeu Meligeni às provocações. "Ele (Hrbaty) está criando um clima de guerra e poderá se dar mal."
Karol Kucera, o número dois da Eslováquia, mais experiente e que já esteve por diversas vezes entre os dez primeiros do ranking mundial, não causou tanta polêmica. Mas enfatizou que gosta de defender seu país, em jogos da Davis.
"É sempre interessante jogar pelo seu país", disse Kucera, que é dono de uma das melhores devoluções de saque do circuito mundial e hoje ocupa a posição de número 41 do ranking mundial. "A Davis é uma competição que abre a chance de recuperação: se você perde um jogo, seu país ainda pode ganhar o confronto." O técnico e capitão da Eslováquia, o ex-tenista Miloslav Mecir, que nos seus bons tempos era conhecido como Gatão - pela agilidade e silêncio com a qual chegava rapidamente nas bolas - não vê muitos problemas de adaptação de seus jogadores às condições do confronto no Rio. Revela que seu time já enfrentou torcida parecida na Argentina e que os dois principais tenistas estão fisicamente bem, com capacidade para suportar longas disputas em partidas melhor de cinco sets.


