Belo Horizonte, 10 (AE) - Um clube com uma dívida superior a R$ 20 milhões não tinha outra saída a não ser juntar as sobras de outras equipes para montar seu time de futebol. Muita gente duvidada que da reunião de vários jogadores desprezados por outros clubes o Atlético-MG conseguiria ir longe no Campeonato Brasileiro. Mas foi justamente a obstinação de jogadores como Guilherme, Velloso, Belletti, Robert e Gallo, entre outros, que levou o clube mineiro à decisão do campeonato contra o milionário time do Corinthians e suas estrelas consagradas.
Cada um tem a sua história para contar. Guilherme não teve espaço no Vasco com Edmundo e Donizete e teve seu passe emprestado ao Atlético-MG. Hoje é o artilheiro do Campeonato Brasileiro com 25 gols. O meia Robert chegou a ser chamado de maluco pelos adversários do Grêmio depois que entrou em depressão ao sofrer uma delicada cirurgia no joelho. Teve o passe emprestado e encontrou a paz em Minas Gerais. "As pessoas esquecem que o jogador é de carne e osso como qualquer ser humano", comenta Robert.
O goleiro Velloso teve de deixar o orgulho de lado e admitir que seus dias no Palmeiras estavam encerrados depois que o reserva Marcos aproveitou uma contusão sofrida pelo antigo titular e caiu nas graças da torcida. Mesmo recuperado, Velloso não voltou nem para a reserva para não ter o passe desvalorizado. Das tribunas do Palestra Itália, viu o Palmeiras ser campeão da Libertadores e seguiu seu próprio caminho. Velloso não vai participar da primeira partida decisiva contra o Corinthians por estar suspenso com cinco cartões amarelos.
O volante Gallo, outro dono do próprio passe, diz que não guarda mágoas dos clubes que passou recentemente, como o São Paulo e o Botafogo-RJ. "Tudo na minha carreira aconteceu com a maior naturalidade", avalia Gallo. Capitão do Atlético-MG, tendo o mesmo nome que o apelido carinhoso que o time recebe da torcida, Gallo acha que está no lugar ideal para chutar de vez a fama de "pé-frio" que ganhou quando foi duas vezes seguidas vice-campeão brasileiro com o Santos e a Portuguesa, em 1995 e 1996. "Já perdi vários títulos e ganhei alguns", destaca o jogador, campeão paulista com o São Paulo em 1998.
Do Tricolor também vieram os meias Belletti e Adriano. Eles acham que não tiveram muita chance no São Paulo. "Joguei três anos lá e até hoje a torcida do São Paulo não sabe dizer o meu nome", queixa-se Belletti, prestigiado no Atlético-MG com a camisa 10. "Aqui em Belo Horizonte não posso sair na rua que o povo me pára para pedir autógrafos." O empréstimo do seu passe termina dia 31 de dezembro e Belletti antecipa: "Quero ficar no Atlético". O problema é que o preço do passe não foi estipulado na negociação.
Belletti começou a jogar no Cruzeiro, o maior rival do Atlético-MG, e foi para o São Paulo em uma estranha troca. O time mineiro cedeu Belletti e o lateral Serginho, que está no Milan, em troca de cinco jogadores do Tricolor: Vítor, Aílton, Gilmar, Donizete e Ronaldo Luís.
"A torcida e a imprensa paulista não entenderam o negócio e passaram a me cobrar em dobro", reclama. A situação de Adriano, outro ex-são-paulino, melhorou um pouco. Ele é mais aproveitados do que nos tempos de Morumbi mas continua na reserva ao lado de outros jogadores com passagem por diversas equipes como o zagueiro Gélson Baresi (ex-Flamengo, Fluminense e Cruzeiro) e o lateral-direito Walmir (ex-Portuguesa e Grêmio).
Já volante Valdir decidiu deixar o Cruzeiro após a perda do título brasileiro de 1998 para o Corinthians e da Copa Mercosul do mesmo ano para o Palmeiras para reforçar o maior rival. "No Atlético me sinto em casa", garante. "Aqui é um time de raça."Por Paulo Guilherme (Enviado Especial) -------------------------------------------------- ATT: PARA A EDIÇÃO DE DOMINGO --------------------------------------------------

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