Luiz Claudio Oliveira
Enviado da Folha
Mal começou e a Copa América já tem um aspecto característico: a desorganização, principalmente no tocante à imprensa. Os jornalistas que foram à abertura do evento, anteontem à noite, no Estádio Defensores del Chaco, reclamaram bastante do atendimento, mas comparando com o que encontraram ontem em Ciudad del Este, sede de Grupo B, as confusões em Assunção pareceram um paraíso.
A primeira confusão aconteceu na distribuição do credenciamento - muito falho, nada informatizado. Os jornalistas ficaram vários dias atrás de uma credencial que havia sido pedida com mais de um mês de antecedência e que custou US$ 200 cada uma. Pior aconteceu mesmo na distribuição de ingressos e coletes - estes últimos permitem o acesso ao campo para fotógrafos e cinegrafistas.
Prometida inicialmente para a manhã de terça-feira, a distribuição de ingressos e coletes foi transferida para a tarde, depois para noite, finalmente para a manhã de ontem, mas nada havia acontecido até o meio-dia. A distribuição começou à tarde e, mesmo assim, os veículos que receberam foram os de rádio e televisão - depois de um início de tumulto em que os jornalistas batiam palmas, assoviavam e gritavam para serem atendidos.
Acostumados com um regime repressivo, os organizadores chamaram reforço policial: quatro guardas, armados de escopetas, começaram a empurrar os jornalistas. Só pararam com a reação da imprensa de fora. Foram - finalmente - organizadas filas para os demais jornalistas pegarem ingressos. Acabou faltando credenciamento para muitos veículos de rádio e jornal. A distribuição começou a se normalizar depois das 13h30, o que atrasou a agenda de vários jornais.
A desorganização estendeu-se também para dentro do Estádio 3 de Febrero, que sediará todos os jogos do Grupo B. No local não havia cabines, linhas telefônicas e computadores suficientes para atender todos os veículos de comunicação credenciados.
E o mais absurdo: dezenas de cambistas amontoavam-se ontem, já de manhã, no lado paraguaio da Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este. Ao lado de fiscais da alfândega e de soldados do Paraguai, os cambistas ofereciam ingressos - com ágio de até 300% - aos torcedores.

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