Desorganização e solidariedade marcam chegada no Rio e em SP
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terça-feira, 14 de julho de 1998
Agência Estado 
Muita desorganização, gestos de solidariedade e protestos de torcedores marcaram a chegada de uma parte da delegação brasileira no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. O momento de maior tensão foi quando o estudante Eduardo Monteiro Silva, de 21 anos, teve seu cartaz de protesto arrancado por um segurança do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, durante o desembarque no portão 2, no setor doméstico do aeroporto.
O avião da Seleção, que trazia oito dos 22 jogadores, além do técnico Zagallo, chegou com uma hora e meia de atraso. Às 14h35, a aeronave com o emblema estilizado da CBF aterrisou na pista para delírio de cerca de 500 torcedores, segundo a Polícia Militar, que, desde cedo, se amontoavam pelo saguão do aeroporto e pela Avenida 20 de janeiro, que dá acesso ao Galeão. Para controlar a multidão de fãs e torcedores revoltados com o desempenho da Seleção, foram acionados 161 policiais do Batalhão de Choque e da Companhia de Trânsito da PM e outros cinco batalhões de áreas próximas. A Guarda Municipal deslocou mais 20 homens e 12 batedores.
O primeiro a desembarcar, às 15h10, foi Edmundo, o mais festejado pelos torcedores. O atacante, assim como Júnior Baiano, Leonardo e Gonçalves, passou direto pelo corredor de torcedores. Os únicos que falaram com a imprensa e deram autógrafos foram Germano e o atacante Bebeto. O problema de Ronaldinho quebrou a concentração do grupo, reconheceu Germano. Estávamos muito animados, vínhamos de duas vitórias suadas contra Dinamarca e Holanda.
Confusão, desorganização e euforia marcaram a chegada de Cafu, Denílson, Zé Carlos e Gilmar no aeroporto de Guarulhos (SP). Cerca de mil pessoas, a maioria moradores nas imediações do aeroporto, veio mostrar seu apoio aos jogadores. Viemos dizer que valeu, disse Luís Fernando. Quem sabe não estarei com eles em 2002, sonha o garoto.
O primeiro a sair na hora do desembarque foi Cafu. Não esperava tudo isso, disse, enquanto, cercado por policiais tentava passar pelo tumulto dos torcedores formados a sua volta em busca de um autógrafo. Denílson foi o que causou o maior frenesi do público. Estou surpreso por receber tanto carinho das pessoas. Ele foi o mais aplaudido.
Zé Carlos beijou duas vezes a medalha que ganhou. Ele disse estar muito emocionado com a manifestação das pessoas e lamentou não ter conquistado o título. O jogador seguiu para Osasco, onde mora, para receber homenagens dos políticos locais. Para Gilmar, olheiro da seleção, a manifestação de apoio do público prova que o trabalho foi aceito pela população. É sinal que eles entenderam que fizemos o melhor possível.
A polícia teve dificuldades para organizar a saída dos jogadores. Inicialmente estava prevista a saída pelo portão 2. Depois, vendo a multidão, eles perguntaram se não podiam sair pelo portão 3. O policiamento se deslocou para o local, mas foi perseguido pela torcida, e então eles saíram pelo local inicialmente previsto. Segundo o coordenador da operação, o tenente Rios, 25 policiais estavam de plantão para auxiliar a saída dos jogadores mas foi preciso reforço de mais 20. Tivemos dificuldades porque deslocamos parte do pessoal do portão 2 para o portão 3, e depois tivemos que retornar. Por isso precisamos de reforço.


