Luiz Claudio Oliveira
De Curitiba
Depois da França, o Paraguai. Em menos de um ano, o futebol levou a imprensa esportiva do glamour francês à realidade do terceiro mundo. Apesar do carinho do pessoal envolvido na Copa América do Paraguai, confusão, desencontros e brigas não faltaram. Imagine tudo acompanhado de uma interminável guerrilha. É o que promete a próxima Copa América, que será na Colômbia, em 2001.
Segundo um relatório do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, o conflito armado na Colômbia já expulsou de suas casas cerca de 900 mil pessoas. Esse número é semelhante ao dos refugiados que deixaram Kosovo durante a guerra na Iugoslávia.
Além disso, uma das ações preferidas da guerrilha colombiana, compartilhada também pelo narcotráfico, é o sequestro coletivo. O prêmio nobel de literatura, o escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez escreveu um livro - ‘‘Notícias de um Sequestro’’ - sobre o assunto. Imagine o perigo para as seleções e jornalistas.
O Paraguai é mais acolhedor para os brasileiros do que a França. O ‘‘portunhol’’ básico serve para qualquer um. O mesmo acontecerá na Colômbia e esta é a parte boa, mas as partes ruins podem piorar.
Além dos vícios terceiro-mundistas em países ainda amedrontados pela repressão e a pobreza, a falta de experiência em eventos internacionais prejudicou o trabalho da imprensa no Paraguai. Estádios, salas de imprensa e de entrevistas coletivas estavam mal equipados e subdimensionados.
A empresa de marketing esportivo que comprou os direitos de divulgação da competição para revendê-los aos meios de comunicação priorizou o atendimento e a atenção às redes de televisão Globo, à mexicana Televisa e à Bandeirantes, sócia dela no Brasil.
Mesmo assim, os profissinais destas empresas sofreram com a desorganização e a prepotência de certas ‘‘autoridades’’ paraguaias. Imagine então os outros jornalistas, principalmente aqueles que não fazem parte das ‘‘panelinhas’’ ligadas à CBF e seus assessores.

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